UFPR vai reservar 20% das vagas para negros
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sexta-feira, 07 de maio de 2004
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- O Plano de Metas de Inclusão Racial e Social da Universidade Federal do Paraná (UFPR) foi aprovado ontem pelo Conselho Universitário, que manteve a proposta original de destinar 20% das vagas aos afrodescendentes e 20% para alunos que tiveram toda sua formação escolar em escola pública. A medida vale para os próximos dez anos. A cota para índios deve entrar na pauta da reunião de segunda-feira, assim como outros itens do plano que ficaram pendentes de aprovação. A UFPR é a terceira instituição a adotar sistema de cotas para ingresso. A pioneira no País foi a Universidade de Brasília (UnB).
O relator do projeto, professor José Borges Neto, informou que dos 18 artigos do plano, apenas dois foram votados. ''O coração do plano era esse (as cotas para negros e estudantes de escolas públicas) e a gente conseguiu fazer passar, mas tem todo o resto e, inclusive, o mais importante, que é discutir a parte da permanência'', avaliou. Segundo ele, a universidade ainda precisa analisar como o sistema será implantado e como será feito o acompanhamento desses alunos para evitar sua evasão.
A reserva de vagas passa a valer já no próximo vestibular que, este ano, acontece em duas etapas. As cotas só serão consideradas na segunda etapa do vestibular da UFPR.
''Nós abrimos a porta da frente para esses alunos'', comemorou o reitor da UFPR, Carlos Moreira Júnior. Ele entende que a universidade conquistou um grande avanço ''ao administrar a desigualdade social com responsabilidade'', já que as cotas serão preenchidas pelo critério meritório.
Para o representantes do Fórum das Entidades do Movimento Negro, Messias da Silva, a definição de cotas ''é uma conquista que vem de encontro a uma reparação que o País deve às pessoas de origem negra''. Ele entende a medida, também, como um reconhecimento da universidade de que o acesso é difícil não só pela questão racial, mas também financeira. Messias da Silva acredita que a reserva de cotas para alunos de escolas públicas vai ajudar os governos a reverem as políticas para o ensino básico.
O Paraná tem 22% da população autodeclarada negra no Censo de 2000. Entre os 19.542 alunos da UFPR, apenas 2,7% são afrodescendentes. Os negros aprovados no último vestibular representam apenas 1,7% do total, e os inscritos eram 2,7% do total.
Realizado em dezembro de 2003, o vestibular foi disputado por 35% de alunos que sempre estudaram em escola pública, e 26%, na escola privada. Dos aprovados, 21% são oriundos da escola pública, e 40%, da privada. Entre os calouros, 15% têm renda familiar superior a R$ 5.000. Outros 19% são de famílias que ganham mais de R$ 1.000.
Apenas duas universidades federais adotaram o sistema de cotas para negros neste ano: a UnB (Universidade Federal de Brasília) e a Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). A medida também é seguida em duas estaduais: a Uneb (Universidade da Bahia) e a UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro). (Com Agência Folha)


