UFPR pode perder sede no Litoral
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segunda-feira, 29 de março de 2010
Marcela Rocha Mendes<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Sem a renovação de um convênio com a Prefeitura de Matinhos, a Universidade Federal do Paraná (UFPR) Litoral pode ter que procurar outra sede em breve. O convênio atual - em que o município arca com as despesas da Copel e da Sanepar, além de parte do telefone, e ainda cedia zeladoras para realizar a limpeza do campus - encerrou ontem sem que o prefeito Eduardo Dalmora (PDT) assinasse a continuação da parceria.
Governos federal e estadual renovaram o contrato e prefeituras dos outros seis municípios do Litoral entraram para o acordo pelos próximos cinco anos. Dalmora alega não ter sido procurado para negociar os termos do contrato que teria ficado pesado demais para que a prefeitura arcasse sozinha.
A UFPR Litoral está instalada há cinco anos em Matinhos, onde ocupa uma sede no balneário de Caiobá. Segundo o Dalmora, os custos - cerca de R$ 70 mil por mês - são muito altos para o município de 35 mil habitantes e orçamento anual de R$ 41 milhões, em 2009. ''Termos uma universidade federal é um fato histórico, uma coisa boa. Mas com a construção do novo centro de convenções e outros prédios, além das melhorias nas ruas esburacadas e nas escolas e postos de saúde, não posso assinar um contrato que não teremos condições de arcar''.
O político ainda critica o fato de a universidade atender aos demais municípios do Litoral, sem que haja partilha das despesas. Mas a principal reclamação de Dalmora é de não ter havido uma negociação dos termos do convênio. No entanto, ele diz ter interesse em manter a parceria. ''Estou de portas abertas para negociar. Não posso ser inconsequente com o município'', afirma o prefeito.
Valdo Cavallet, diretor do setor, explica que a universidade já realiza atividades nos outros municípios do Litoral. ''As outras seis prefeituras que assinaram o convênio irão colaborar com as despesas de água e luz em suas sedes. E caso o contrato com Matinhos seja mesmo cortado, a tendência é deslocar as atividades para outro lugar'', argumenta.
De acordo com o diretor, o prefeito cortou diálogo depois que membros da universidade passaram a questionar algumas ações da administração, como poda drástica de árvores ou a destinação irregular de resíduos. Dalmora responde às denúncias desafiando ''qualquer um a mostrar essas irregularidades''.
Como o convênio encerrou ontem, o campus poderia correr o risco de ter a água, luz e telefones cortados. Mas o prefeito garante que não pedirá o corte. ''O bom senso sempre prevalece''. A UFPR Litoral tem 110 professores, 60 servidores e 1,1 mil alunos, cerca de 60% moradores das cidades litorâneas.


