A capital ecológica vai se transformar em sede da paz. Curitiba sediará em maio ou junho deste ano um seminário internacional da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco). Com o tema ‘‘Cultura da Paz’’, o evento abordará assuntos como violência, desigualdade social, educação, direitos humanos, preservação do meio-ambiente, ciência e tecnologia. Representantes de Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai participarão do encontro e pretendem apresentar um documento final com idéias pacificadoras.
A Unesco designou a Universidade Federal do Paraná (UFPR) para preparar o seminário. O conselheiro do Tribunal de Contas do Estado e professor do curso de Comunicação Social da UFPR, João Feder (foto), foi nomeado para organizar os debates. O local do seminário ainda está para ser definido, mas deve ser no Teatro da Reitoria da UFPR. Feder disse ontem que pretende chamar personalidades mundiais para discutir a paz. Ele não adiantou nomes, uma vez que ainda precisa saber como está a agenda dos possíveis convidados. As discussões são uma prévia do que a Uncesco está planejando para o ano 2000, que será dedicado à cultura e a paz no mundo.
‘‘O conceito de paz não é apenas a ausência do conflito militar, da guerra. Paz subentende justiça, igualdade, respeito ao meio-ambiente e boa distribuição de renda. Sem isso não existe paz’’, observou João Feder. O organizador do seminário disse que a finalidade do encontro é defender que a universidade seja um fórum de discussões, estudos e ensinamentos sobre formas de pacificação e justiça social. Antes do evento, os quatro países envolvidos vão realizar oficinas regionais. Os resultados serão apresentados em Curitiba e no final das discussões será formulada a carta ‘‘Cultura da Paz’’.
A proposta do seminário também é abordar as diferenças enormes entre investimentos na indústria armamentista e na área social. ‘‘O mundo sempre gastou mais dinheiro em armamentos do que em recursos para a paz. Este seminário é a primeira gota no oceano. A Unesco chegou a conclusão de que é preciso reverter isso. Não custa a gente conscientizar a comunidade’’, comentou João Feder.

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