A divulgação oficial ontem do resultado do Exame Nacional de Cursos, o Provão, pelo ministro da Educação, Paulo Renato Souza, em Brasília, gerou manifestações de euforia, descontentamento e equívocos por parte de dirigentes de algumas instituições de ensino superior. No Rio de Janeiro, a reitoria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) reclamou que o boicote promovido pela União Nacional dos Estudantes (UNE) durante o provão influiu no desempenho da instituição.
No Paraná, a direção da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que completou 88 anos de fundação, comemorou ontem os resultados do provão, mas com base apenas nos conceitos obtidos pelos estudantes nas provas. Por esse critério, o curso de jornalismo da instituição, que no ano passado obteve conceito D, este ano subiu para A. Mas a lista com a avaliação da comissão do MEC das instalações físicas e da qualificação dos docentes, também divulgada ontem, relaciona 173 cursos que estão ameaçados de perder a autorização para funcionamento, na qual constam nove do Paraná e inclusive o jornalismo da UFPR .
Considerando apenas os conceitos dos alunos, a UFPR teve entre os 19 cursos avaliados oito com A, oito com B e três com C. Isso representa 85% dos cursos avaliados entre A e B, a melhor média do Estado. ‘‘Esse resultado mostra que apesar das dificuldades a Universidade Federal do Paraná está conseguindo atender as exigências do MEC’’, disse o reitor Carlos Roberto Antunes dos Santos.
Já a Universidade Estadual de Londrina (UEL) teve 15 cursos avaliados. Sete obtiveram nota A (47%); cinco ficaram com nota B (33%); e três com nota C (20%). O curso de direito obteve A pelo quinto ano consecutivo; medicina veterinária pelo quarto ano consecutivo; e administração de empresas e engenharia civil tiveram a melhor nota pela terceira vez consecutiva. Os outros cursos que ficaram com nota A foram odontologia (segundo ano consecutivo), biologia e psicologia.
Entre os cursos que viram sua nota no Provão decair estão jornalismo, que ficou com nota C, depois de ganhar A em 1998 e B em 1999; letras, que ficou com B, depois de receber A por dois anos consecutivos; economia, que recebeu conceito C depois de ter sido avaliada em B; e medicina, que caiu de A para B. Os cursos de agronomia, biologia, física, psicologia e química foram avaliados pela primeira vez.
Na Universidade Norte do Paraná (Unopar), a avaliação foi feita em sete cursos, administrados nos câmpi de Londrina e Arapongas (37 quilômetros a oeste de Londrina). Odontologia, administração (Londrina e Arapongas) e letras (Arapongas) receberam C; matemática e química (ambos de Arapongas) receberam D e letras (Londrina) recebeu E. A assessora de planejamento da Unopar, Elisa Maria de Assis, ressaltou que a instituição enfrentou boicote ao exame por parte dos alunos e que a avaliação do exame nacional não é constituída apenas pela prova do aluno, mas também pelas condições de oferta do curso na instituição.
Entre os 12 cursos da Universidade Estadual de Ponta Grossa que passaram pela avaliação, dois conseguiram conceito A no desempenho dos alunos: Ciências Biológicas e Agronomia. Foi a primeira vez que esses cursos foram avaliados. Já os cursos de licenciatura em Letras, Matemática e Química, e Bacharelado em Comunicação Social - Jornalismo, obtiveram o conceito B.
Odontologia, Engenharia Civil, Direito, Administração e Física ficaram com C e apenas Economia obteve o pior desempenho possível no provão, o conceito D.
A maioria dos cursos que já havia participado da avaliação mantiveram suas posições. Apenas Jornalismo subiu de C para B. A Pró-Reitora de Graduação da instituição, Cleide Aparecida Faria Rodrigues, considera que os resultados foram satisfatórios e que essa avaliação mostrou melhor o potencial da UEPG.
Em Foz do Iguaçu, o resultado do provão apresentou poucas mudanças em relação ao ano passado. Administração, do câmpus da Unioeste, obteve conceito B neste ano, repetindo o desempenho obtido de 1996 a 1999. Letras recebeu conceito B, caindo do A que obteve em 1999. O curso de ciências econômicas do Centro de Ensino Superior de Foz do Iguaçu (Cesufoz) obteve D, o mesmo do ano passado. Já o curso de direito da Faculdade Unificada de Foz do Iguaçu (Unifoz) recebeu o conceito C, inferior ao B que recebeu em 1998 e 1999.
Os cursos da Universidade do Oeste do Paraná (Unioeste) tiveram o seguinte desempenho: Cascavel: administração (A) Biologia (B) Economia (B); Engenharia Civil (B), Letras (A), Matemática (A); Câmpus de Toledo: Economia (A); engenharia química (C); Câmpus de Marechal Cândido Rondon: administração (B), agronomia (B) letras (C); Câmpus de Francisco Beltrão: economia (C).
O curso de medicina da Universidade Estadual de Maringá (UEM) recebeu nota ‘‘A’’, no ano passado a nota foi ‘‘B’’. Desta vez, a prova incluiu apenas o desempenho dos alunos. Até 1999 eram avaliados também a jornada e titulação dos professores.
Os cursos de letras e matemática, que no ano passado tiveram ‘‘A’’ foram para ‘‘B’’ este ano. As provas avaliaram 14 cursos de graduação da UEM, cinco a mais que em 1999. Somente medicina ficou com o ‘‘A’’. Do restante, foram seis ‘‘C’’ e oito ‘‘B’’. Em seis cursos oferecidos pela universidade houve queda no conceito em relação ao resultado do Provão do ano passado.
Colaboraram Alexandre Palmer, de Foz do Iguaçu; Denise Angelo, de Ponta Grossa; Emerson Cervi, de Curitiba; Gilmar Agassi, de Cascavel; Lucinéia Parra e Marta Medeira, de Maringá; Silvana Leão, de Londrina.

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