Um laboratório subterrâneo, montado para acompanhar o desenvolvimento de raízes na cultura da cana-de-açúcar, foi montado na estação experimental da Universidade Federal do Paraná (UFPr), em Paranavaí. É o primeiro laboratório deste tipo no País e vai auxiliar as pesquisas no desenvolvimento de técnicas que podem antecipar a maturação da planta. O resultado da pesquisa vai permitir ao produtor estabelecer diferentes fases da colheita durante o ano.
A tecnologia, denominada Rizotron, possibilita aos técnicos acompanhar o desenvolvimento da raiz da planta - submetida a um maturador que modifica o sistema radicular. O pesquisador vê raiz através de uma janela de vidro, que fica abaixo do nível da terra. Um notebook com tecnologia digital faz o registro fotográfico das diferentes fases de desenvolvimento da raiz, registrando ainda as dosagens de maturador aplicadas no planta.
A experiência foi iniciada com o plantio de seis dos 14 módulos do compartimento subterrâneo. ‘‘Estudamos inicialmente três variedades’’, explica o coordenador geral do projeto no Paraná, Edelclaiton Daros. O projeto, de US$ 25 mil, foi implantado em parceria com a multinacional Novartis, que produz o maturador utilizado na pesquisa. Pelo menos 14 variedades de cana, utilizadas em lavouras comerciais em todo o País a partir de 1983, surgiram de estudos realizados em Paranavaí.
O responsável pela estação, Paulo Afonso Graciano, revela que o laboratório já desenvolveu também cerca de 130 mil clones. Os clones são cruzamentos genéticos que dão origem a novas variedades de cana. As plantas surgidas da pesquisa ocupam 101 hectares da fazenda experimental e passam pela fase de avaliação primária. O próximo passo é o cruzamento genético, feito no laboratório de Serra do Ouro (AL), onde o clima é mais favorável.
O trabalho é desenvolvido em parceria com a Universidade Federal de Alagoas. Uma vez por ano, técnicos de sete estados participam do trabalho realizado em Serra do Ouro. O objetivo é a troca de experiência e o desenvolvimento de novas variedades.
Anualmente, são geradas de 15 a 20 variedades promissoras, testadas pelos próprios produtores em lavouras comerciais.

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