Curitiba, 14 (AE) - Com apoio do reitor Carlos Roberto Antunes, professores, estudantes e servidores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) iniciaramhoje à tarde, em Curitiba, uma vigília de 24 horas em defesa da universidade pública e gratuita e contra o projeto de autonomia proposto pelo governo federal. "O ato é de vigília e de resistência ao projeto", disse o reitor. Para o dia 6 de outubro está prevista uma marcha a Brasília.
Pela manhã, houve uma assembléia em que os assuntos relativos à universidade foram discutidos, principalmente a necessidade de se construir um bloco parlamentar, no Congresso Nacional, para resistir às propostas do Ministério da Educação. "Iniciamos nesta data uma resistência organizada contra o projeto de destruição da universidade", afirmou o presidente da Associação dos Professores da UFPR, professor Emmanuel Appel. Ele espera que a mobilização leve o governo federal a dialogar com a comunidade acadêmica. "A proposta do ministério procura atrelar a universidade aos interesses da lógica do mercado", afirmou o professor.
Os estudantes entendem que o maior entrave para a educação é o próprio presidente Fernando Henrique Cardoso. Eles retomaram, nos discursos, o slogan "Fora FHC".
O reitor da UFPR disse que a posição da instituição contra o projeto apresentado pelo Ministério da Educação foi referendado pelo Conselho Universitário. De acordo com Carlos Antunes, a proposta do governo federal tem três pontos questionáveis. O primeiro deles é a falta de garantia de financiamento. "Corre-se o risco de inviabilização imediata", criticou o reitor.
O segundo é o estabelecimento de um contrato de gestão, que exige resposta positiva em pouco tempo. "É a antítese da autonomia, porque na universidade não se trabalha assim", disse. Por último, o Conselho Universitário questiona o sistema de transição do quadro de pessoal, sobretudo os inativos, que, entende, não poderiam ficar com a folha de pagamento sob a responsabilidade da universidade.
Andifes - "Defendemos uma autonomia que permita mais flexibilidade, menos burocracia, e que dê garantia suficiente para resolver os problemas pendentes, oferecer ensino gratuito e de qualidade e possibilidades de investir em expansão", afirmou Antunes. Ele disse que, na próxima semana, a Associação Nacional de Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) reúne-se em Brasília para discutir a proposta alternativa de autonomia universitária.

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