Curitiba - A Universidade Federal do Paraná (UFPR) suspendeu as atividades, ontem, até o meio-dia, para que a comunidade acadêmica pudesse comparecer à manifestação contra violência e a favor de uma cultura de paz, no centro de Curitiba. O assassinato da pró-reitora de Pesquisa e Pós-graduação da UFPR, Maria Benigna Martinelli de Oliveira, no dia 7, durante tentativa de assalto, motivou o protesto. Centenas de pessoas, entre estudantes, professores e técnicos se reuniram em frente ao prédio histórico vestidos com blusas brancas, carregando faixas e cartazes.
O Conselho Universitário, pela primeira vez em 95 anos, se reuniu em praça pública, demonstrando abertura para discussão dos problemas da sociedade. ''Esse manifesto não é apenas simbólico. Acreditamos que essa brutalidade é a face mais visível da realidade, fruto de um ciclo perverso de miséria, criminalidade e violência'', disse a vice-reitora da UFPR, Márcia Helena Mendonça, que trabalhava com Maria Benigna. ''Minha relação com a professora Binha era de 25 anos. Foi minha professora, orientadora de pesquisa e depois, colega de trabalho na universidade'', conta.
''Foi uma morte bárbara, cruel, covarde. A professora era uma pessoa séria, competente, dedicada, alegre, humana e intensa em tudo que fazia. Uma profissional de altíssimo nível intelectual, pesquisadora de nível máximo do CNPQ, com pesquisas na área de Bionergia e Bioquímica reconhecidas internacionalmente. Vamos continuar o trabalho realizado por ela no nosso setor, como uma homenagem'', desabafou Maria Lúcia Masson, coordenadora de cursos de stricto sensu da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós- Graduação.
A presidente da Associação dos Professores da UFPR (APUFPR), Arislete Dantas de Aquino, lamentou a pequena participação dos docentes na manifestação. ''A sociedade deve assumir essa responsabilidade e a universidade pública é parte importante. Nós nos fechamos nas salas de aulas e vamos muito pouco às ruas pedir a paz. Em outros países, manifestações com este objetivo reúnem milhares de professores e aqui nossa classe não compareceu em massa'', pontuou Aquino.
O reitor da UFPR, Carlos Augusto Moreira Júnior, tratou de esclarecer que o ato foi uma iniciativa do Conselho Universitário e não serviu de palanque político. ''Não adianta colocar só polícia na rua. A sociedade brasileira precisa refletir sobre as bases estruturais, na educação, geração de emprego e renda. E acredito que a universidade deu, hoje, um passo à frente nessa compreensão'', opinou o reitor, que é pré-candidato à Prefeitura de Curitiba.
O delegado Jaime da Silva Luz, da Delegacia de Homicídios, informou que as investigações continuam para identificar os dois autores do crime, através das informações de testemunhas e imagens de vídeo.

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