Curitiba - Dos mais de 4 mil estudantes que foram aprovados no vestibular da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em 2000, apenas 38 eram negros. Isso equivale a um índice inferior a 1%. Para discutir a forma de promover a inclusão de negros e índios no 3º Grau, a UFPR realizou ontem o seminário ''A Universidade e as Desigualdades - Um Debate Além das Cotas'' .
Segundo a procuradora da UFPR, Dora Lúcia de Lima Bertúlio, a instituição é favorável ao cumprimento da medida provisória publicada em 27 de agosto deste ano, que criou o programa ''Diversidade na Universidade'', com o objetivo de transferir recursos da União para as instituições educacionais. A MP prevê a implementação de cursos pré-vestibulares ou a viabilização de bolsas de estudo para as pessoas desfavorecidas economicamente, descendentes de negros e índios.
Apesar de ser a favor do programa, Dora explica que a diretoria da UFPR quer discutir essas questões com a comunidade, antes de implementá-las. ''Estamos plenamente conscientes da necessidade de fazer políticas voltadas para o atendimento dessa parcela da população'', diz ela. ''Em Curitiba, a população negra é de aproximadamente 19%. Se compararmos esse número com o índice de negros na universidade, veremos o tamanho da necessidade de adotarmos políticas de inclusão'', defende.
O presidente do Instituto Afro-brasileiro do Paraná, Valdir Isidoro Silveira, também é a favor da reserva de vagas para a comunidade negra. ''É um resgate a que a comunidade negra tem direito diante de tudo que sofreu'', acredita Silveira.

mockup