Curitiba- Pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) colheram, ontem de manhã, no campus do Setor de Ciências Agrárias, os primeiros pinhões, resultado de cruzamentos artificiais (controlado pelo homem) entre plantas-mãe em Curitiba e plantas-pai em Lajes (SC), Guarapuava e Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba. A colheita é resultado dos cruzamentos feitos há dois anos pela equipe do pesquisador Flávio Zanette, e mostra que é possível produzir sementes de araucária oriundas de espécies de regiões diferentes.
''A polinização do pinheiro normalmente se faz com o vento. Não havia como o pólen de um pinheiro enorme de Castro, por exemplo, polinizar uma árvore em Curitiba'', diz o pesquisador. Ele ressalta que esse resultado permitirá combinações genéticas que a natureza não pode fazer sozinha, abrindo possibilidade de recompor as florestas de araucária ameaçadas de extinção. Segundo pesquisas feitas pela UFPR, no Paraná resta apenas 1% de matas nativas de pinheiro.
A bióloga Justina Inês Anselmini, doutoranda de Produção Vegetal, explica que as sementes geradas são oriundas de plantas selecionadas, bem desenvolvidas, de bom crescimento, e de genéticas diferentes, uma vez que estão em regiões distantes. ''Com isso, temos sementes com maior variabilidade genética. E esse é um bom material para ser usado no melhoramento genético da espécie'', diz.
A intenção, segundo Zanette, é disponibilizar a técnica para que as empresas possam produzir pinhões de maior qualidade e que tornem o replantio de Araucária mais econômico. Ao todo, foram colhidos ontem cerca de 350 pinhas de 11 araucárias polinizadas em 2005.
Ontem a equipe da UFPR e a direção do Centro Nacional de Florestas da Embrapa lançaram a idéia da criação de um Dia Nacional da Floresta de Araucária, a ser comemorado no mês de maio ou junho, época de queda das pinhas. ''Tem que ser na época de colheita, para valorizar o pinhão'', diz Zanette. Ele lembra que além de alimento, a árvore também fornece adubo ou combustível, através das grinpas, e ainda faz sequestro de carbono. ''É preciso tirar o maior resultado possível da araucária em pé para que não seja preciso derrubá-la'', justifica.

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