UFPR busca normalidade após tensão por ameaça na internet
Mensagem publicada em fórum da deep web causou pânico na comunidade acadêmica
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 12 de abril de 2019
Mensagem publicada em fórum da deep web causou pânico na comunidade acadêmica
Rafael Costa - Grupo Folha 

Dois dias após a identificação de uma ameaça contra a UFPR (Universidade Federal do Paraná) em um fórum da deep web causar pânico na comunidade acadêmica, as atividades começavam a voltar ao normal nesta sexta-feira (12), segundo relatos de estudantes e professores à FOLHA. A reportagem esteve no Centro Politécnico durante a tarde. A única movimentação atípica era a presença de três homens do Pelotão de Choque da PM (Polícia Militar) fazendo rondas pelo campus.
As percepções sobre o episódio são variadas. Alunos relataram que prefeririam que as aulas tivessem sido suspensas até que o responsável pela mensagem fosse identificado, e que só compareceram para não perder conteúdos importantes e provas. Disseram, contudo, ainda havia preocupação — embora fatores como o reforço de segurança na instituição tenham contribuído para tranquilizar as turmas. Outros não chegaram a perceber nenhum impacto, apesar de a informação da ameaça ter chegado até seus celulares.
Aluna de Engenharia Cartográfica e Agrimensura, Priscila Borges Alves, 36, disse que percebeu redução no movimento do Politécnico nesta sexta-feira. “As pessoas estão com medo”, disse. “No RU (Restaurante Universitário), todo mundo estava se olhando, querendo comer o mais rápido possível. Tem uma tensão no ar”, contou. Segundo os estudantes, o RU é o local de maior preocupação, já que costuma confinar um grande número de pessoas. As forças policiais que dão apoio à segurança da universidade foram deslocadas para os restaurantes na hora do almoço.
O professor Wander da Cruz, do departamento de Geomática, contou ter percebido o clima pesado na sala de aula. “Ontem (11) estava muito mais sério, um clima bem tenso. Hoje, o pessoal já chegou mais tranquilo, mas qualquer movimento diferente, qualquer pessoa passando pela janela, fazia o pessoal parar e olhar”, relatou. “A gente tenta tranquilizar”, disse.
O professor Luís Fernando Pereira, professor do curso de Direito e ouvidor da universidade, teve uma percepção parecida. “Acho que o sujeito conseguiu o que pretendia. Ele de fato disseminou o pânico. Lamentavelmente, a reação foi de se deixar intimidar”, disse. O professor chegou a dar aulas com quatro e cinco alunos em sala — de um total de 50. “Os alunos se reuniram e decidiram entre eles que não iriam para a aula. Recebi mensagens na quarta-feira (10) à noite avisando”, contou. Pereira também relatou que os alunos que compareceram se assustavam facilmente com barulhos vindos de fora da sala. Para ele, contudo, já há certa normalidade. “A universidade tomou todas as medidas cabíveis”, avaliou.
Jean Carlos Venera Junior, aluno do curso de Biomedicina, disse que procurou não se intimidar. “Temos que vir normalmente para não demonstrar que isso nos afetou. As informações que estão passando é que a histeria só vai levar a mais histeria e preocupação entre os estudantes, quando pode não estar realmente acontecendo alguma coisa”, disse.
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O CASO
A mensagem com referência a um "massacre" na UFPR foi postada em um fórum da deep web na terça-feira (9) pela manhã. À noite, uma captura de tela com a ameaça começou a circular rapidamente em grupos de WhatsApp de alunos da universidade, gerando pânico nas salas de aula.
No dia seguinte, em nota oficial, a instituição se manifestou sobre o recebimento da mensagem informando que acionou de forma preventiva o setor de segurança da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) e as polícias Federal e Militar, juntamente com o Nuciber (Núcleo de Combate aos Cibercrimes), da Polícia Civil. Comunicou, também, que alertou a vigilância que atua na universidade com pedido de reforço na segurança interna, além de destacar uma equipe para ajudar na investigação sobre de onde partiu a ameaça.
Na quinta-feira (11) pela manhã, o reitor, Ricardo Marcelo Fonseca, e o pró-reitor de Administração, Marco Cavalieri, se reuniram com autoridades na Sesp (Secretaria de Estado da Segurança Pública e Administração Penitenciária), para tratar dos desdobramentos do caso. À tarde, uma reunião com os diretores dos setores da instituição decidiu, por unanimidade, manter as atividades na universidade. O reitor disse, em um pronunciamento em vídeo, que a decisão seguiu orientação dos órgãos de segurança.
“É natural que isso gere preocupação em todos nós. Mas, acima de tudo, é essencial manter a racionalidade”
Ricardo Marcelo Fonseca, reitor -
“Deles vem a orientação, a partir de protocolos estabelecidos em casos como esses, para que seja mantida a normalidade na universidade, sem suspensão das atividades, o que reforça os procedimentos já adotados na UFPR desde a quarta-feira. Estamos, portanto, e em consenso com todas as direções setoriais, seguindo o protocolo ditado pelas autoridades de segurança pública do Estado e do País”, disse Fonseca.
“É natural que isso gere preocupação em todos nós. Mas, acima de tudo, é essencial manter a racionalidade, a sensatez, e trabalhar com informações confiáveis, sem dar ouvidos a boatos, que, inevitavelmente espalham o pânico e a história”, disse
Em uma breve entrevista à FOLHA, na tarde desta sexta-feira, o reitor disse que o clima havia melhorado em relação aos dias anteriores, após os comunicados oficiais da instituição e o reforço de segurança nos campi. Acrescentou, contudo, que a direção da UFPR ainda procurava diminuir o pânico entre os estudantes. “Estamos tentando acalmar nossa comunidade”, explicou o reitor — reforçando que, além de um “print” de tela com a suposta ameaça no fórum on-line, não há qualquer outro fato concreto.
O reitor garantiu que a polícia está “em cima” do caso e que os campi estão em paz. Não há tumulto, apesar da preocupação entre os estudantes, disse. “A presença de contingentes da polícia, sobretudo na hora do almoço nos restaurantes universitários, talvez tenha tido este efeito”, contou. “Espero que a vida volte completamente ao normal já na segunda-feira (15).”
Por meio de assessoria de imprensa, a PM informou que o patrulhamento foi reforçado nos arredores dos campi da UFPR na capital. A presença dos policiais continuará ao longo da próxima semana nas áreas externas e de refeitório da universidades. Também houve abordagens pontuais de pessoas suspeitas em conjunto com a PF (Polícia Federal). Até a conclusão desta reportagem, não a PF não divulgou informações sobre sua atuação no caso.


