UFPR aprova novo calendário
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segunda-feira, 13 de julho de 1998
Anna Camanducaia 
O ano letivo recomeçou ontem na Universidade Federal do Paraná, em Curitiba, depois de três meses de greve. Todos os cursos voltaram ao trabalho para recuperar o primeiro semestre e começar a programação do segundo ainda em setembro ou outubro. O chefe de gabinete do reitor da UFPR, Luiz Sunye, disse que o programa será cumprido e os alunos não serão prejudicados. Ninguém vai perder o ano. Os alunos de último período terão suas atividades convalidadas e se formarão normalmente, afirmou Sunye. O novo calendário da UFPR será aprovado definitivamente hoje, às 8 horas, no Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão.
No primeiro dia de aula, alunos e professores estavam sem ritmo. A gente chega meio sem vontade, depois de tanto tempo fazendo outras atividades, disse o estudante do segundo período de Odontologia, Valmor Jair da Silva, de 27 anos. Durante a greve, Silva ficou em casa, foi à academia e leu alguns livros, sem compromisso. Quando não existe obrigatoriedade e cobrança, a gente lê despreocupado e acaba não gravando o conteúdo.
A estudante do quarto período de Enfermagem Georgia Carla França, de 20 anos, disse que, apesar de fora do ritmo, está animada e com o maior interesse possível para começar a estudar novamente. Nesses meses, Georgia viajou para a casa dos pais em Santa Catarina e só voltou a Curitiba três vezes para pagar o aluguel.
O calouro de Medicina Pedro Anzuategui, de 18 anos, disse que voltou animado porque começará a ter Anatomia. Durante o tempo livre, ele nem pensou nos livros. No ano passado, estudei muito para o Vestibular. Nesses três meses, só fiz festa e viajei - tudo o que se faz quando se está em férias. A turma de Medicina, que sempre tem um calendário maior que o dos alunos de outros cursos, deve ter menos tempo de férias ainda neste ano. Não perdendo matéria, não me importo.
Depois de tanto tempo sem estudar, os esquecimentos são comuns. Por isso, os professores estão se preocupando em revisar o conteúdo dado no início do ano, antes de começar matéria nova. Hoje (ontem) tive que fazer um apanhado do que havia sido lecionado antes para começar assunto novo na próxima segunda-feira, disse o professor titular de Direito Penal Luiz Alberto Machado. O professor também perde o ritmo, mas os mais prejudicados pela greve são os alunos.


