UFPR aprova cotas para negros e índios
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quinta-feira, 06 de maio de 2004
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- O Conselho Universitário da Universidade Federal do Paraná (UFPR) aprovou, ontem, a implantação de políticas afirmativas, o que envolve a reserva de vagas para afrodescendentes, índios e alunos de escolas públicas já para o próximo vestibular. A forma de implantar essas propostas é que ainda não foram definidas e voltam a pauta de discussões nesta manhã. Representantes do movimento negro fizeram vigília durante a madrugada e manhã de ontem e prometem voltar a fazer pressão na reunião de hoje.
O reitor da UFPR, Carlos Moreira Júnior, disse que há polêmica quanto aos percentuais de reserva de vagas e se, em relação aos negros, serão considerados somente os oriundos de escolas públicas. Ele reconhece que o Conselho está longe de chegar a um consenso. ''São 52 conselheiros com voz, vontade e idéias próprias. Então chegar a um consenso não é tarefa tão fácil assim'', declarou.
O projeto apresentado pela comissão que avaliou a questão das cotas propõe a reserva de 20% das vagas para negros e pardos e o mesmo percentual para alunos de escolas públicas. Quanto aos candidatos indígenas não houve proposta de percentual.
A única definição, segundo Moreira Júnior, é que as ''políticas afirmativas'' estarão contempladas no vestibular 2005 e que as cotas só serão consideradas na segunda etapa do concurso. O vestibular deste ano será realizado em duas etapas. A primeira, que acontece no dia 28 de novembro, terá uma prova de 80 questões objetivas de todas as disciplinas. O número de candidatos que passarão para segunda fase será proporcional ao número de candidatos inscritos e as vagas disponíveis. Para os cursos mais concorridos, o percentual de candidatos será maior e o inverso para os cursos menos disputados. A segunda etapa acontecerá nos dias 19 e 20 de dezembro e terá provas de interpretação de textos e questões específicas de acordo com cada curso. O edital do vestibular, garantiu Moreira, será publicado no dia 10 de junho.
A expectativa do coordenador do movimento negro junto à UFPR, Emanuel Leem, é de que a proposta da reserva de 20% das vagas para estudantes afrodescendentes passe pelo Conselho Universitário. Ele acredita que interpretações equivocadas sobre o assunto, como uma possível discriminação dos futuros acadêmicos negros, foram desfeitas na reunião de ontem. Leem argumenta que para ingressar na universidade, os candidatos negros terão que enfrentar as mesmas provas e nas mesmas condições que os demais candidatos.


