UFPR abre 5 vagas para índios pela primeira vez
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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2005
Andréa Bordinhão<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Além das cotas para negros e alunos de escola pública, a Universidade Federal do Paraná (UFPR), abriu, este ano, pela primeira vez vagas para índios. Quatro calouros indígenas já começaram as aulas no curso de medicina e outra estudante vai começar no mesmo curso no segundo semestre. O vestibular foi feito nos mesmos moldes do realizado pelas universidades estaduais há três anos. Porém, diferente das cotas, as cinco vagas foram criadas, ou seja, não foi reservado um espaço especial para os índios.
''Ano passado já tinha tentado o vestibular normal em outras faculdades públicas, mas não passei. Daí esse ano vim para cá e deu certo'', conta a caloura Eva Simone da Silva, 18 anos, da comunidade indígena de Nonoai, que fica em Gramado de Loureiros, no Rio Grande do Sul. Diferente das universidades estaduais, a UFPR abriu vagas para vestibulando de todo o Brasil. E passaram quatro gaúchos e um paranaense. ''Quero exercer a medicina na minha comunidade, unindo a cultura deles com o atendimento'', afirma Eva.
''Também escolhi o curso porque posso fazer alguma coisa voltada para o meu povo'', conta a estudante Karitiana Sales Ribeiro, 21, da reserva indígena Juanta, também do RS. O irmão de Karitiana, Alvandi Ribeiro, também está cursando medicina na UFPR. Os estudantes indígenas contam com ajuda da própria UFPR e da Fundação Nacional do Índio (Funai). A universidade vai dar uma bolsa de R$ 150 para despesas diversas mais alimentação e assistência médica e odontológica. Já a Funai vai pagar moradia, transporte e material didático.
Até hoje 77 índios ingressaram nas universidades do Paraná, incluindo os da UFPR. Isso porque as instituições estaduais, por força de lei, reservam três vagas a índios todos os anos. ''Porém não sabemos quantos ainda estão estudando'', afirmou a coordenadora do vestibular indígina da UFPR, Ciméa Beviláqua. ''Essas vagas estão dentro de um plano de inclusão social da universidade. E respondem a uma enorme demanda das comunidades indígenas'', afirmou.
A regra do vestibular para os índios foi um pouco diferente. Eles tiveram que fazer uma prova oral, já que muitos não tem o português como primeira língua. As questões das provas também foram relacionadas com a cultura indígena. No total, 75 índios se inscreveram, porém só 54 tiveram a documentação aprovada e só 35 compareceram para fazer a prova. Até 2010 a UFPR vai disponibilizar nove vagas para índios. Depois disso será estudado novas ampliações.


