Rio, 24 (AE) - A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) arrecadou no ano passado R$ 16 milhões com a realização de convênios de prestação de serviços para empresas públicas e privadas. Esse valor, que corresponde a 64% do valor que a universidade recebe do governo estadual para custeio, é três vezes superior ao que arrecada, em recursos próprios, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), maior do País entre as federais. De acordo com o reitor da Uerj, Antônio Celso Pereira, o trabalho de captação de recursos externos afastou a crise financeira e permitiu investimentos em pesquisa e na reforma do campus da universidade.
Do orçamento anual de R$ 300 milhões que a universidade recebe do governo, R$ 275 milhões são gastos com o pagamento de pessoal, restando apenas R$ 25 milhões para custeio. Pereira diz que, sem o acréscimo da verba extra-oficial, a Uerj estaria com laboratórios sucateados e prédios em péssimo estado de conservação, porque não haveria dinheiro para realizar investimentos. "A Uerj cresce na crise porque a comunidade acadêmica enfrenta essa situação com criatividade", analisa. "Não podemos ficar de braços cruzados esperando o dinheiro cair do céu". O trabalho de captação de recursos é feito por dois centros designados exclusivamente para essa tarefa: o Centro de Produção da Uerj (Cepuerj) e o Núcleo Superior de Estudos Governamentais (Nuseg), que realizam há seis anos um trabalho integrado. "Não abro mão dos recursos do Estado, que tem a obrigação constitucional de prover a universidade pública, mas também é um dever da universidade buscar verbas através de sua capacidade instalada e de seus recursos humanos", afirma Pereira, que também é presidente do Fórum de Reitores das Universidades do Estado do Rio.
Ele é contra a cobrança de mensalidade em instituições públicas de ensino. O Hospital Universitário Pedro Ernesto, em Vila Isabel, na zona norte, é um motivo de "orgulho" para o reitor. No dia 7 de julho, será inaugurado o novo Centro de Tratamento Intensivo (CTI) para cirurgia cardíaca, um investimento de R$ 650 milhões, feito recursos próprios da universidade. "O hospital realiza 3 mil consultas por dia e é responsável por 70% das cirurgias cardíacas da rede pública do Rio". No entanto, a iniciativa de buscar recursos externos não é aceita por todos os setores da universidade, diz Pereira. "O clima aqui dentro não é pacífico, porque alguns defendem a exclusividade dos investimentos públicos, mas são opiniões que, apesar de discordar, eu respeito". Convênios - A universidade mantém convênios de prestação de serviços com o Detran-RJ, a Companhia Estadual de águas e Esgotos (Cedae) a Secretaria de Trabalho, prefeituras do interior do Estado, Receita Federal, Ministério do Meio-Ambiente e cerca de 800 empresas privadas. Em 1997, a Uerj venceu uma licitação do Banco Mundial (Bird) para realizar o treinamento de funcionários do Banco Nacional de Angola, serviço que prestou até outubro do ano passado. "Estamos nos preparando para outra concorrência mundial na área de saneamento", afirmou Pereira.
A universidade costuma arrecadar de 10% a 15% do valor de cada projeto. O reitor, que termina seu mandato no fim do ano
ressaltou a "boa vontade" do governador Anthony Garotinho no incentivo à parceria com a universidade. "Ele quer que a Uerj seja uma agência de desenvolvimento do Estado", acredita. No contrato do governo estadual com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para a despoluição da Baía da Guanabara, a universidade é responsável pela parte relativa à educação ambiental da população ribeirinha. Provão - A Uerj possui um quadro de dois mil professores - 70% com doutorado -, 22.300 alunos inscritos na graduação, 4 mil na pós-graduação e 10 mil em cursos de extensão. Dos 11 cursos da universidade avaliados no último Exame Nacional de Cursos, o provão, sete receberam conceitos A, dois tiveram nota B e outros dois ficaram com C.

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