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União Européia divide-se na questão da política de subsídios culturais Do correspondente Gilles Lapouge
Paris, 12 (AE) - A exceção cultural francesa entrou em choque uma vez mais. Foi durante a reunião dos Quinze países da União Européia em Luxemburgo, destinada a definir uma posição comum da Europa, por ocasião do Millenium Round (Rodada do Milênio) - ciclo de negociações dentro do quadro da Organização Mundial do Comércio (OMC), a ser iniciado no dia 30 de novembro em Seattle.
Era uma boa idéia: enfrentar os norte-americanos a partir de um texto comum. Mas a França "desembainhou" sua "exceção cultural" (que já havia conseguido "ganho de causa" no final da Rodada Uruguai, em Marrakesh, em 1994). Exceção que tem o objetivo de reservar para os produtos culturais regras diferentes das regras do mercado: "A cultura e o audiovisual" - afirmou o ministro francês - " não são mercadorias como as outras que podem ser submetidas à liberalização".
E imediatamente aconteceu o "choque": não houve nenhuma posição comum da Europa na OMC. Fim da reunião. E necessidade de reiniciar negociações inter-européias antes da reunião de Seattle, provavelmente no dia 15 de novembro.
Uma vez mais, a Europa se dividiu em dois grupos: de um lado, a França, acompanhada pela Bélgica, a Irlanda, a áustria e a Alemanha. Do outro, o grupo dos pró-americanos, dos liberais obstinados, que não enxergam diferenças entre o comércio cultural e o comércio geral: a Holanda e principalmente a Grã-Bretanha.
O que está em questão é a política de subsídios culturais. A França acredita que, diante do formidável poder dos Estados Unidos, a Europa não deve sacrificar as vantagens conquistadas no final da Rodada Uruguai, em Marrakesh: favorecer as produções nacionais, permitir a assistência oficial para manter a exportação de programas de cada país e sua penetração nos mercados estrangeiros.
Os britânicos não concordam com esta opinião. A seus olhos, não tem mais sentido prolongar a exceção cultural definida pela Rodada Uruguai., "Liberalismo! Liberalismo!" - repetem os ingleses, que criticam severamente os franceses.
Estes porém replicam citando números impressionantes. O déficit no comércio de audiovisuais entre os Estados Unidos e a Europa, que era de 2 bilhões de dólares em 1988, passou para 6,5 bilhões em 1998.
Paris tem outro argumento: a exceção cultural permitiu que a França protegesse seu cinema contra a expansão hollywoodiana. O cinema francês vai bem. É com certeza um dos mais ativos da Europa. Isso, por várias razões: consenso nacional, pois seus temas são defendidos unanimemente pela direita (Chirac) e pela esquerda (Jospin). Além disso, as atrizes e atores franceses de estatura internacional (Catherine Deneuve, Gérard Depardieu...) se mobilizaram em torno dessa campanha, conseguindo notável sucesso.
Esta desavença cultural entre os Quinze é grave. Mas não deve fazer esquecer que, nos outros pontos da futura reunião de Seattle (particularmente a agricultura), os europeus conseguiram chegar a uma posição comum.





