UEM terá vestibular mesmo com fim de cursos
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terça-feira, 09 de março de 2004
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba- A Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior divulgou ontem a lista com os 43 cursos das cinco universidades estaduais que vão ter seus vestibulares cancelados até que o governo estadual elabore os relatórios de impacto orçamentário-financeiro por três anos. A medida vale a partir do vestibular de inverno (junho/julho) e garante, portanto, a realização do concurso da Universidade Estadual de Maringá (UEM), que deve acontecer de 21 a 24 deste mês.
O secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superiror, Aldair Rizzi, afirmou que as universidades vão ter que apresentar os planos orçamentários e pedagógicos referentes aos cursos criados entre 2000 e 2002 à Secretaria e também analisar o que pode ser bancado com recursos próprios. ''O Estado está no limite da sua capacidade financeira. O governo vai avaliar cada curso em particular'', disse.
Rizzi exemplificou que só o orçamento da UEM para manter os 21 cursos por três anos (2003, 2004 e 2005) prevê um gasto de R$ 21,3 milhões, sendo R$ 10,5 milhões para pessoal, R$ 9,5 milhões para investimentos e R$ 1,3 milhão para custeio. Segundo o secretário, os cursos não tiveram autorização do governo do Estado e por isso não foi feita previsão orçamentária,
O vice-reitor da UEM, Ângelo Priori, confirma os números apresentados por Rizzi e diz que a instituição não recebeu, em 2003, nada do que foi solicitado. Priori afirmou que a universidade não está preocupada com a decisão do governo estadual porque todos os cursos foram abertos respeitando os trâmites legais. ''É só uma questão de comprovar isso ao governo'', comentou. Quanto a usar dinheiro próprio para manter o cursos, o vice-reitor explicou: ''A UEM tem condições de manter alguns, mas os da área tecnológica vai ser preciso investimentos do governo''.
Depois da UEM, a universidade com mais cursos (15) na lista de cortes é a Universidade do Centro Oeste (Unicentro). O vice-reitor da Unicentro, Aldo Nelson Bona, afirmou que vai discutir com a Secretaria as ações que precisam ser feitas para mantê-los em funcionamento. ''Vamos subsidiar a Secretaria com informações para mostrar que os cursos têm impacto regional importante. E também que o investimento não é tão grande'', disse. Bona afirmou que a universidade tem condições de manter com recursos próprios somente a infra-estrutura dos 15 cursos, mas não o corpo docente.
A Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) tem oito de seus cursos incluídos na lista do governo estadual. O reitor Paulo Roberto Godoy disse que, ainda que seja preciso cancelar o vestibular de inverno, a universidade terá como comprovar que os cursos devem ser mantidos. ''Da parte da UEPG haverá todo empenho para mantê-los.''
Já a Universidade do Oeste do Paraná (Unioeste) vai ter o vestibular de dois cursos cancelados: enfermagem, em Foz do Iguaçu, e administração, em Francisco Beltrão. Porém, segundo o reitor da universidade, Alcebíades Luiz Orlando, houve um equívoco por parte do governo Roberto Requião (PMDB). ''Esses dois cursos têm decretos autorizatórios assinadosm antes de 2002. O que fizemos, em 2002, foi transferir parte das vagas do curso de Cascavel para Francisco Beltrão e para Foz do Iguaçu e não abrir novas'', explicou.


