UEM segue sozinha em embate com governo
PUBLICAÇÃO
sábado, 03 de fevereiro de 2018
Viviani Costa<br>Reportagem Local 
Os 4.200 servidores da UEM (Universidade Estadual de Maringá) estão com os salários atrasados. Os pagamentos que deveriam ter sido disponibilizados no dia 31 de janeiro são alvo do impasse entre a reitoria da UEM e o governo do Paraná. A universidade questiona na Justiça a necessidade de adesão ao sistema Meta 4 que passou a ser utilizado pelo governo para gerir a folha de pagamento do funcionalismo. Já o governo alega que a mudança trará mais transparência na gestão dos recursos, além de seguir recomendações e determinações judiciais.
Nesta sexta-feira (2), o reitor da UEM, Mauro Baesso, rebateu os argumentos do governo de que a reitoria não havia autorizado a transferência de recursos. Segundo o governo, o reitor não teria encaminhado um ofício necessário para a liberação da ordem de pagamento. "Nós temos que fazer um ofício autorizando a Caixa Econômica a transferir o dinheiro da conta da universidade para a conta dos servidores. Isso foi feito. O modelo de ofício que veio do governo era com um texto completamente diferente que incluía uma autorização para a universidade aderir ao Meta 4. [
] Não se pode aproveitar um ofício que é para uma finalidade e colocar outra finalidade dentro", apontou.
Segundo Baesso, a assinatura do documento padronizado pelo governo comprometeria a decisão do Conselho Universitário da UEM de não aderir ao novo sistema. Para o reitor, já há transparência na gestão dos recursos visto que os dados podem ser acessados pelo Estado. A universidade recorreu das decisões judiciais que determinam o ingresso ao Meta 4 e aguarda a análise dos argumentos.
Professores e funcionários prometem dar início a uma greve, por tempo indeterminado, a partir da próxima segunda-feira (5). "A greve não é o caminho nesse momento porque é ruim para todos. Da greve de 2015, por exemplo, só agora em 2018 é que nós vamos conseguir terminar o ano com as aulas e exames todos até dezembro do mesmo ano", afirmou Baesso. Para ele, o tempo gasto na discussão do Meta 4 deveria ter sido utilizado para debater melhorias do ensino nas universidades públicas.
De acordo com o governo, todas as outras universidades estaduais encaminharam a documentação necessária e os salários foram liberados. Nesta sexta-feira, o secretário de Estado da Administração e Previdência, Fernando Ghignone, informou, por meio da assessoria, que o governo aguarda a "colaboração da reitoria". "Apelamos para o bom senso. Basta apenas um documento assinado e todos os servidores terão os salários depositados nas contas correntes", afirmou Ghignone. Os recursos para os pagamentos dos salários estão disponíveis desde o dia 30.


