Os 4.200 servidores da UEM (Universidade Estadual de Maringá) estão com os salários atrasados. Os pagamentos que deveriam ter sido disponibilizados no dia 31 de janeiro são alvo do impasse entre a reitoria da UEM e o governo do Paraná. A universidade questiona na Justiça a necessidade de adesão ao sistema Meta 4 que passou a ser utilizado pelo governo para gerir a folha de pagamento do funcionalismo. Já o governo alega que a mudança trará mais transparência na gestão dos recursos, além de seguir recomendações e determinações judiciais.
Nesta sexta-feira (2), o reitor da UEM, Mauro Baesso, rebateu os argumentos do governo de que a reitoria não havia autorizado a transferência de recursos. Segundo o governo, o reitor não teria encaminhado um ofício necessário para a liberação da ordem de pagamento. "Nós temos que fazer um ofício autorizando a Caixa Econômica a transferir o dinheiro da conta da universidade para a conta dos servidores. Isso foi feito. O modelo de ofício que veio do governo era com um texto completamente diferente que incluía uma autorização para a universidade aderir ao Meta 4. […] Não se pode aproveitar um ofício que é para uma finalidade e colocar outra finalidade dentro", apontou.
Segundo Baesso, a assinatura do documento padronizado pelo governo comprometeria a decisão do Conselho Universitário da UEM de não aderir ao novo sistema. Para o reitor, já há transparência na gestão dos recursos visto que os dados podem ser acessados pelo Estado. A universidade recorreu das decisões judiciais que determinam o ingresso ao Meta 4 e aguarda a análise dos argumentos.
Professores e funcionários prometem dar início a uma greve, por tempo indeterminado, a partir da próxima segunda-feira (5). "A greve não é o caminho nesse momento porque é ruim para todos. Da greve de 2015, por exemplo, só agora em 2018 é que nós vamos conseguir terminar o ano com as aulas e exames todos até dezembro do mesmo ano", afirmou Baesso. Para ele, o tempo gasto na discussão do Meta 4 deveria ter sido utilizado para debater melhorias do ensino nas universidades públicas.
De acordo com o governo, todas as outras universidades estaduais encaminharam a documentação necessária e os salários foram liberados. Nesta sexta-feira, o secretário de Estado da Administração e Previdência, Fernando Ghignone, informou, por meio da assessoria, que o governo aguarda a "colaboração da reitoria". "Apelamos para o bom senso. Basta apenas um documento assinado e todos os servidores terão os salários depositados nas contas correntes", afirmou Ghignone. Os recursos para os pagamentos dos salários estão disponíveis desde o dia 30.

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