UEL vai implantar cotas para negros em 2005
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 07 de junho de 2004
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
O próximo vestibular da Universidade Estadual de Londrina (UEL), em 2005, já deverá contar com a reserva de 40% das vagas para estudantes de escolas públicas, sendo metade para negros. A decisão, anunciada ontem pela reitora Lygia Pupatto, ainda precisa passar pelo crivo do Conselho Universitário.
Tomando como referência o número de vagas ofertadas pela UEL no vestibular deste ano, pouco mais de 3 mil, as cotas estabelecidas implicariam na reserva de cerca de 600 vagas para alunos que cursaram todo o Ensino Médio em escolas públicas, e outras 600 para afrodescendentes também oriundos do ensino público. ''Essa é uma medida provisória, que valerá por um período de 10 anos. É claro que temos que melhorar o nível do ensino médio, mas se formos esperar até que a situação fique ideal, quando vamos dar oportunidade aos negros na universidade?'', interrogou Lygia.
Para justificar o que classificou como uma ''imensa dívida social brasileira'', a reitora mencionou estatísticas que apontam que a parcela de alunos negros nas universidades federais é de apenas 2%, enquanto essa etnia representa 45% da população total do país. No Paraná, ainda de acordo com Lygia, os negros somam 21,1% da população, porcentagem que sobe para 23,3% em Londrina.
No último vestibular da UEL, somente 2,5% dos quase 36,7 mil inscritos se declararam negros. Os candidatos que disseram ter concluído o Ensino Médio em escolas públicas somaram 41,04% do total. A reitora frisou, contudo, que a maior preocupação da instituição é com a discrepância entre cursos que têm maior ou menor valorização social. ''A cada ano estamos aumentando a participação dos alunos oriundos de escolas públicas, mas não na mesma proporção entre os cursos. É o equilíbrio que estamos buscando com as cotas'', ressaltou.
Para exemplificar o problema, citou dois extremos: no curso de pedagogia noturno, das 80 vagas ofertadas neste ano 53 (66%) foram preenchidas por estudantes do ensino público; já no curso de medicina, o mesmo número de vagas foi aproveitado por somente seis alunos (7,5%) nas mesmas condições. A UEL ainda não tem dados específicos sobre negros entre os aprovados.
O pró-reitor de Assuntos de Ensino e Graduação da UEL, Jairo Pacheco, comentou que ainda é cedo para dizer se haverá demanda suficiente para preencher o limite das cotas. ''Acredito que sim, pois o número de vagas não é grande. Além disso, é possível que a existência de cotas incentive a inscrição de estudantes que hoje não se sentem em condições de pleitear uma vaga'', afirmou.
A implantação do sistema de cotas deve ser submetido à aprovação do Conselho Universitário até o início de julho, para que as novas regras sejam incluídas no edital do vestibular de 2005. Se a decisão se confirmar, a UEL será a segunda universidade pública do Estado a reservar vagas para negros e alunos de escolas públicas. No mês passado, a Universidade Federal do Paraná já havia aprovado a reserva de 40% das vagas para esses grupos.


