UEL vai atrasar contas de água e luz para priorizar hospitais e atividades acadêmicas
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sexta-feira, 21 de novembro de 2014
Guilherme Batista - Redação Bonde 
A reitora da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Berenice Jordão, confirmou, em entrevista ao Bonde nesta sexta-feira (21), que a instituição não tem recursos próprios para fechar o ano no 'azul'. Segundo ela, a universidade depende dos repasses do Governo do Paraná, que estariam atrasados desde outubro. "O orçamento para o último trimestre de 2014 ainda não foi aprovado", lembrou.
Pela previsão original, a UEL tem a receber, até janeiro do próximo ano, R$ 6,3 milhões. O Estado, no entanto, baixou decreto em março cortando 30% do orçamento. "Nós readequamos as planilhas e enviamos ao governo, que, apesar do corte, informou que ainda não tinha condições de atender as demandas", explicou a reitora.
De acordo com Berenice, a verba original precisou ser cortada quase pela metade. "Caso o orçamento seja aprovado, vamos receber pouco mais de R$ 3 milhões do Estado até o início de 2015", completou. De acordo com ela, a UEL vai deixar atrasar as contas de água, energia elétrica e telefone, que são cobradas por empresas do próprio governo, para priorizar os atendimentos à população, oferecidos por meio dos hospitais e clínicas da instituição, e a continuidade das atividades acadêmicas. "O estabelecimento de algumas economias foi necessário para a manutenção, por exemplo, das bolsas de alguns alunos. Não podemos perder a nossa característica social", argumentou.

A reitora lembrou que a "universidade não para". "As despesas não vão deixar de existir. O que precisamos fazer é estabelecer prioridades e estabelecer o racionamento em alguns setores", afirmou. As cópias de documentos, por exemplo, vão passar por economia, assim como o envio de correspondências e a utilização de combustíveis. "Vamos deixar de fazer algumas viagens que não são essenciais para não prejudicar a rotina de nossos alunos".
Os espaços mantidos pela UEL fora de Londrina também terão racionamento, conforme Berenice. "É uma situação necessária, que deve perdurar até o final de janeiro, quando a situação financeira do Estado será outra", observou. A reitora confirmou, também, que a universidade sabe da crise financeira do Governo do Paraná desde o final do primeiro semestre deste ano. "Economizamos onde foi possível, mas os problemas se agravaram no segundo semestre", afirmou.
A reitora também garantiu que os servidores não correm o risco de ficar sem os salários. "Os repasses referentes aos vencimentos estão sendo feitos normalmente".
O orçamento da UEL para este ano girava em torno dos R$ 26 milhões. A instituição, no entanto, recebeu pouco menos de R$ 12 milhões do Estado até agora.
Por meio da assessoria de imprensa, a Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) informou que o valor divulgado no início de 2014 era apenas uma "previsão orçamentária", que dependia da arrecadação tributária do governo para ser colocada em prática. Com a receita aquém do esperado, de acordo com a assessoria, a previsão não pôde ser cumprida.
A Seti informou, ainda, que os ajustes são necessários e que não só a UEL está passando pelas dificuldades financeiras. Outras universidades e órgãos estaduais também estão precisando economizar, segundo a assessoria.


