UEL retoma as aulas parcialmente
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terça-feira, 30 de junho de 2015
Rafael Fantin<br> Reportagem local 
Após aproximadamente dois meses, a Universidade Estadual de Londrina (UEL) retomou as aulas ontem, no entanto, o conteúdo acadêmico não foi dado em 100% das salas por causa da continuidade da greve do movimento estudantil, que cobra melhorias para os alunos e investimentos do Governo do Estado na universidade. No início da manhã, um grupo de estudantes bloqueou o trânsito no acesso ao campus próximo da entrada para a reitoria com faixas e cartazes. Os veículos eram liberados de 10 em 10 e ambulâncias e ônibus tinham prioridade para cruzar a barreira dos manifestantes. Agentes da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) fizeram o controle do tráfego. Uma viatura não caracterizada do serviço reservado da Polícia Militar (P2) chegou a ser acionada, mas os policiais não constataram nenhum tumulto quando chegaram ao local.
Durante o protesto, os integrantes do Diretório Central de Estudantes (DCE) distribuíram panfletos com o objetivo de aumentar a adesão dos alunos ao movimento contrário ao reinício das aulas. Com a assembleia dos estudantes agendada para a noite de hoje, às 19h, a quarta-feira também deve ser marcada por aulas parciais na UEL. "Apesar do retorno de servidores e professores, os estudantes continuam em greve, o que não foi respeitado pela UEL, que deliberou pela volta às aulas. Por isso, os alunos não devem ir para as salas de aulas antes da discussão dos estudantes durante a assembleia", afirmou o aluno do curso de geografia Rei Kuboyama.
O comando de mobilização dos docentes do Centro de Educação Comunicação e Artes (Ceca) manifestou apoio à pauta de reivindicações dos estudantes e confirmou a continuidade da suspensão das aulas até a assembleia do DCE. Segundo informações da Pro-Reitoria de Graduação (Prograd), o Ceca foi o único centro que oficializou uma posição coletiva pela continuidade da paralisação em salas de aulas, mas outros professores também podem optar por não ministrar aulas em outros centros em apoio ao movimento estudantil.
Apesar da mobilização, muitos alunos tinham a expectativa de retorno das aulas ontem após o período de paralisação. Estudante do curso de pedagogia, Paloma Campos encontrou a sala de aula fechada no Ceca, quando chegou ao campus no início da manhã. A moradora de Cambé (Região Metropolitana de Londrina) voltou para casa de ônibus, já que a van particular só retorna por volta do meio-dia. "Eu quero recomeçar logo, pois tivemos apenas um mês de aula em todo o primeiro semestre do ano", disse, referindo-se aos mais de 50 dias de greve.
Já no Centro de Estudos Sociais Aplicados (Cesa), um grande número de estudantes do curso de direito voltou para as salas de aulas, mas alguns professores não compareceram. Por volta das 8h30, alunos do 2º do ano aguardavam o início da segunda, marcada para às 10h, com o docente que ministrava em outra turma. Sem professor na primeira aula do dia, a turma foi liberada. "Após dois meses, a gente acaba perdendo o ritmo nos estudos, por isso, é importante voltar para a sala de aula", opinou a estudante de direito Amanda dos Santos.
O prefeito do campus, Dari de Oliveira Filho, afirmou que os serviços de manutenção das vias e jardins da universidade devem ser normalizados até o final da próxima semana. "Iniciamos a recuperação do espaço físico na última quinta-feira com o retorno dos servidores. Durante o período de greve, não tivemos muitos períodos de chuvas, o que facilita a manutenção", comentou. Mais de 400 servidores trabalham na jardinagem, limpeza, varrição e outros serviços de manutenção.


