Londrina - A informação de que o câncer de pele é o mais comum entre os brasileiros se espalhou tão rapidamente quanto a notícia de que exames gratuitos seriam realizados em Londrina. O tema ganhou essa atenção pela data que marcou o Dia Nacional de Combate ao Câncer de Pele, 29 de novembro.

Ontem, no Ambulatório de Especialidades do Hospital Universitário (Aehu), muita gente chegou cedo para garantir a senha de atendimento. Todos estavam em busca de uma avaliação de pele, com professores e residentes em dermatologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL).

A iniciativa ocorreu em todo o País, por meio da Sociedade Brasileira de Dermatologia, em parceria com as secretarias municipais de saúde. "O foco é a detecção precoce do câncer de pele. A falta de acesso gera atraso no diagnóstico e nosso objetivo é dar resultabilidade com os tratamentos", afirmou Bruna Tuma, docente do departamento de Clínica Médica do Aehu e coordenadora da campanha no município.

A estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca) para este ano é de que aproximadamente 182 mil pessoas apresentarão câncer de pele. Como foi o caso do aposentado Jeronymo Luiz Romero, de 85 anos, que descobriu que tinha câncer de pele no couro cabeludo.

"Começou com uma ferida. Como ela não parava de crescer, comecei a ficar assustado e resolvi procurar um médico. Era câncer. Fiz cirurgia e radioterapia e estou curado", comentou Romero, que depois dessa experiência passou a dar importância para todos os sinais da pele. "Quando fiquei sabendo da campanha, não pensei duas vezes. Vim logo checar algumas pintas que saíram nos braços", disse.

A ação também ganhou a atenção do casal Lupitowicz, que encarou como uma oportunidade para verificar algumas "pintinhas". "É a primeira vez que a gente resolve fazer um exame, pois só passamos a nos preocupar com as manchas agora. Estamos nos cuidando em relação ao sol há pouco tempo", afirmou a dona de casa Elena, se referindo ao uso de protetor solar.

Os atendimentos gratuitos foram realizados ontem, das 9 às 14 horas, e a estimativa era cadastrar cerca de 500 pessoas. No ano passado, Londrina bateu o recorde de exames no Paraná, registrando 790 pacientes, sendo que 10% representaram casos suspeitos e 50% resultaram em cirurgias no Aehu.

"Se a pessoa apresentar alguma lesão de risco, será encaminhada para tratamento. Atualmente, temos parceria com o Instituto de Câncer de Londrina (ICL), o Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema (Cismepar) e a Policlínica", explicou a coordenadora.

Tipos

Segundo o Inca, o câncer de pele não melanoma pode apresentar tumores de diferentes linhagens, sendo os mais frequentes o carcinoma basocelular, responsável por 70% dos diagnósticos, e o carcinoma epidermoide, representando 25% dos casos. O carcinoma basocelular, apesar de mais incidente, é também o menos agressivo.

Já o tipo melanoma é o mais agressivo e representa 5% dos casos de tumores malignos no País. Dados do Inca revelam que em 2012 1.522 brasileiros morreram por causa da doença e esse alto índice está relacionado com a capacidade desse tipo de tumor de se espalhar para outros órgãos.

mockup