Londrina - Uma parceria entre a Secretaria Estadual de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (Seju) e a Universidade Estadual de Londrina (UEL) retomou ontem o cursinho pré-vestibular para 60 detentos em Londrina. O projeto piloto de ressocialização de detentos no Estado abrange 30 presos da PEL 1 e outros 30 da PEL 2. As aulas são ministradas por 15 alunos do 3° e 4° anos das disciplinas de licenciatura da UEL. O investimento no curso, que tem duração de seis meses, com aulas de segunda a sexta-feira, é de R$ 123 mil, mais de R$ 2 mil por aluno.
O programa foi apontado pelo juiz da Vara de Execuções Penais (VEP) de Londrina, Katsujo Nakadomari, como uma oportunidade de mudar a história do sistema penitenciário. "Este projeto pioneiro em âmbito nacional é uma oportunidade única de reverter o quadro atual e fazer com que os detentos deixem os presídios realmente ressocializados", destacou.
A expectativa do juiz é que pelo menos 20 alunos sejam aprovados em vestibulares no fim do ano. "O sucesso do cursinho depende dos próprios presos", completou.
O detento F.Z.K., de 24 anos, é um dos que têm mais chances de aprovação. No ano passado, ele prestou o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e, com a nota elevada, conseguiu uma bolsa de estudos integral em uma universidade particular para o curso de Marketing pelo Programa Universidade para Todos (ProUni), do governo federal. "Estamos negociando para eu fazer este curso à distância, mas vou continuar prestando outros vestibulares", contou.
Para ele, a borracha em cima da mesa serve também para apagar o passado de violência. F. foi condenado a 23 anos de prisão por latrocínio (roubo seguido de morte) cometido há cinco anos em Londrina. Dos nove anos e meio, ele espera se livrar de dois e meio por remissão de pena pelos estudos. "Hoje vivo outra realidade, quero deixar para trás tudo de ruim que já fiz. O vestibular é o primeiro passo", planejou.
Na tarde de ontem, a instrutora Debora Moreira lecionava princípios de Filosofia para a turma da PEL 1. O primeiro passo, segundo ela, é nivelar a turma. "Temos alunos de idades e conhecimentos variados, então procuramos passar conhecimentos básicos antes das disciplinas." O ambiente de uma penitenciária não assustou a instrutora. "Pelo contrário, a ansiedade é toda deles. Eles são muito concentrados e querem aprender."
A diretora de Acompanhamento de Projetos da Pró-Reitoria de Extensão (Proex) da UEL, Cleusa Cacione, comemorou a retomada do projeto, que tinha sido interrompido em abril. Segundo o diretor da PEL 1, João Victor Fujimoto, o maior entrave para expandir as vagas dos alunos do cursinho é a baixa escolaridade dos internos. Dos 600 presos da PEL, apenas 40 deles concluíram o ensino médio. Quem não concluiu o antigo 2° grau é atendido pelo Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos (CEEBJA).

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