UEL investiga surto de toxoplasmose no Iapar
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quinta-feira, 22 de outubro de 2015
Rafael Fantin<br> Reportagem local 
A Vigilância em Saúde de Londrina conta com a participação da Universidade Estadual de Londrina (UEL) na investigação sobre a contaminação que provocou um surto de toxoplasmose na sede do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). Ao menos 17 funcionários foram infectados, conforme a FOLHA divulgou na edição de ontem. O laboratório de Zoonoses e Saúde de Medicina Veterinária da universidade é considerado uma referência nacional na área e já apurou as causas de quatro surtos registrados em 2015 no Brasil nos estados do Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Goiás e Minas Gerais.
Apesar da experiência no setor com consultorias e análises de dados de todo o País, o professor da UEL na área de Zoonoses e Saúde Pública Italmar Teodorico Navarro afirma que o foco da contaminação no Iapar pode não ser encontrado durante as pesquisas, principalmente por causa da notificação tardia. "Os primeiros casos são do final de agosto e início de setembro, mas só fomos comunicados neste mês. A demora na notificação atrapalha, pois se perdem amostras de água, verduras ou carnes que poderiam estar contaminados", explicou.
De acordo com o especialista, a toxoplasmose é provocada por um protozoário encontrado nas fezes de gatos jovens e a contaminação da área em que o felino defeca pode durar até 18 meses. "Estamos rastreando os legumes e verduras utilizados no restaurante do Iapar até o Ceasa (Central de Abastecimento) e de lá até o produtor. O solo onde ele trabalha pode estar contaminado e o agricultor não tem conhecimento", explicou.
Em outros casos investigados neste ano, os surtos foram provocados pela contaminação da água em bairros com problemas de saneamento básico e atingiram mais de 200 pessoas. "Não é o caso do Iapar, que já possui controle com higienização da caixa d´água. Além disso, os primeiros resultados dos exames da Vigilância Sanitária não confirmaram a contaminação da água", comentou. Quando o foco é localizado pelos pesquisadores após a coleta das amostras, a área é interditada e passa por um processo de higienização para descontaminação.
Navarro esclareceu que o tratamento dos pacientes é realizado com antibióticos durante o período de 15 a 20 dias e lembrou que a toxoplasmose pode apresentar sintomas como febres, mancha pelo corpo, cansaço e dores no corpo, que podem ser confundidos com outras doenças. Mas ele alertou que as pessoas que tiveram a doença devem procurar um oftalmologista imediatamente em caso de alterações na visão mesmo após o tratamento. "Existe risco de cegueira total ou parcial. O toxoplasma no Brasil possui características que podem provocar lesões graves nos olhos", ressaltou.
As mulheres também precisam tomar mais cuidado com a toxoplasmose durante a gestação, já que a doença pode passar da mãe para o feto com apresentação de sequelas no nascimento. "A maioria das gestantes não apresenta sintomas ou pode confundi-los com outras doenças. Após uma semana, o bebê pode ter sido infectado. Por isso, é fundamental realizar o exame durante o pré-natal", alertou.
A diretora de Vigilância em Saúde de Londrina, Léia Pereira, afirmou que após quase 30 dias de acompanhamento nenhum novo caso de toxoplasmose foi confirmado no Iapar. "O fato já aconteceu e estamos fazendo um levantamento histórico desde o primeiro caso confirmado. Além disso, é importante apurar se ainda existe a possibilidade de novos casos", comentou. As medidas que podem ser adotadas após o surto no Iapar serão discutidas hoje, às 15h, em reunião no gabinete do secretário de Saúde, Gilberto Martin. A diretora lembrou que o acompanhamento das grávidas nos postos de saúde é realizado por um programa desenvolvido pela UEL e reduziu os casos de toxoplasmose entre gestantes.


