UEL inicia aulas em clima de incerteza
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segunda-feira, 22 de março de 2004
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Os cerca de 13,5 mil alunos da Universidade Estadual de Londrina (UEL) puderam constatar, ontem, o que já vinha sendo noticiado na imprensa: faltam professores nos 41 cursos da instituição. O ano letivo de 2004 começou em clima de incerteza, com um déficit de 190 docentes na UEL e sem uma resposta do Estado sobre quando ou se vai autorizar novas contratações.
O problema pegou de surpresa o estudante do 3º ano de contabilidade Hugo Costa Melo, 19 anos. ''Eu não sabia. Fomos informados hoje (ontem) de que estão faltando sete professores no departamento. Nossa turma está sem professor em três disciplinas'', contou.
Com uma lacuna ainda maior, de quatro docentes, alunos do 3º ano de educação física estavam pessimistas sobre a situação. ''Já estávamos desanimados desde o primeiro ano, porque a qualidade do ensino sempre deixou a desejar. Agora ficamos sabendo que disciplinas anuais vão virar semestrais, por falta de professores. Nem adianta protestar porque estamos na mão do governo. Dinheiro tem, mas eles decidem se contratam ou não'', apontou Caio Grecchi Cid, 20 anos.
A UEL tem hoje pouco mais de 1,5 mil docentes. Para remediar a falta de professores, um dos recursos empregados pela instituição é a antecipação de carga horária de outras disciplinas para as quais há docentes disponíveis. O pró-reitor de Graduação da UEL, Jairo Pacheco, admitiu, contudo, que a medida é paliativa e que, se o problema não for resolvido em breve, poderá atrapalhar o cronograma previsto. ''Não queremos atrasar o final do ano letivo. Se necessário, vamos repor aulas aos sábados e durante recessos'', afirmou. Este ano, a universidade espera regularizar o calendário letivo, distorcido desde a greve de 2001, que durou 169 dias. A previsão é fechar o ano no dia 23 de dezembro.
Apesar de também sofrerem com a falta de docentes, estudantes do curso de zootecnia sentiram alívio ao retornar às aulas, ontem. A aluna do 2º ano Andressa Amorim de Oliveira, 20 anos, contou que ela e os colegas tomaram um susto, em plenas férias, quando ouviram dizer que o curso seria extinto. ''Ficamos desesperados. Se isso acontecesse, o curso perderia toda a credibilidade. Mas agora nos garantiram que a UEL tem autonomia para mantê-lo, independente da decisão do governo'', observou. Zootecnia foi o único curso da UEL afetado pela decisão do governador Roberto Requião (PMDB) de extinguir 43 cursos universitários no Paraná.
O impasse sobre as contratações continua até que o governo avalie os dados que solicitou a todas as universidades estaduais, referentes a carga-horária e bonificação de docentes, atividades de pesquisa e extensão, entre outros ítens. A assessoria de imprensa da Secretaria do Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior informou que o relatório deve ficar pronto até o final de março.


