Londrina - ''A cultura atual valoriza o corpo magro, as pessoas gordas se sentem estigmatizadas, são vistas como relaxadas, sem força de vontade, e isso acaba levando ao sofrimento.'' A declaração é de Lucilla Camargo Simões, professora do departamento de Psicologia Geral e Análise do Comportamento da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Para entender os motivos individuais que levam à obesidade e as dificuldades enfrentadas pelas pessoas que se deparam este problema, a professora está coordenando um projeto de pesquisa que vai acompanhar um grupo de obesos durante seis meses. O objetivo é identificar níveis de estresse, ansiedade e depressão. ''Nossa pesquisa abrange homens e mulheres entre 20 e 50 anos. Vamos fazer entrevistas individuais, identificar os hábitos de vida de cada um, as causas da obesidade e levantar dados para montar um programa de atendimento que terá início em 2011'', explicou a professora.
Conforme ela, as pessoas obesas que não conseguem responder ao padrão de beleza atual enfrentam problemas como a baixa estima e preconceito. Quem tem este perfil geralmente procura se isolar e evita contato social. Ela disse que quando o sobrepeso começa a atrapalhar nas diferentes área da vida, como relacionamentos ou profissionalmente, é sinal que está na hora de procurar ajuda. Para ela, lutar contra o excesso de peso é muito mais difícil atualmente por que vivemos em um ambiente ''obesogênio''.
De acordo com a Edmarcia Manfredin Vila, professora de psicologia da UEL, atualmente há muitos alimentos baratos que são industrializados, extremamente saborosos e de alto valor calórico. ''Além disso, o sedentarismo é um grande responsável por esta condição'', disse. Problemas de saúde ou suscetibilidade genética contrinuem de 24% a 40% com o aumento de peso, ''mas este não é o único motivo, a interação com o meio ambiente também é responsável'', explicou Edmarcia.
Hábitos
Ela destacou que o hábito alimentar adequado é fundamental para combater a obesidade. Para Edmarcia, os pais devem dar o exemplo aos filhos, consumindo mais alimentos saudáveis e evitando os gordurosos e industrializados. ''Além disso, é importante respeitar os sinais de saciedade do corpo, não forçar a criança comer tudo que está no prato se ela já está satisfeita. Preparar alimentos em casa dá mais trabalho, mas é mais saudável.''
No Brasil 48% das mulheres e 51% dos homens são considerados obesos, entre as crianças de 5 a 9 anos, este número chega a 30%, ''apesar disso, cada pessoa é única, é necessário identificar quais são as variáveis que ajudam cada um a desenvolver a obesidade'', explicou Edmarcia.
Serviço - Interessados em participar da pesquisa têm até sexta-feira (dia 12) para fazer a inscrição. Mais informações pelos fones (43) 3371-4227 ou 3371-4476.

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