A UEL (Universidade Estadual de Londrina) elaborou um questionário para conhecer o perfil social e econômico dos alunos pensando no retorno gradual do ano letivo. A Câmara de Graduação da universidade encaminhou ao Cepe (Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão) uma proposta de retomada das atividades a partir de 29 deste mês de forma não presencial.

Questões foram elaboradas por um grupo de trabalho que reúne setores como a Prograd e o Sebec
Questões foram elaboradas por um grupo de trabalho que reúne setores como a Prograd e o Sebec | Foto: Saulo Ohara/20-8-2018

O questionário tem 26 perguntas e o objetivo é localizar cada aluno de graduação e conhecer, da forma mais precisa possível, as condições sanitárias e socioeconômicas de todos eles. "A ideia é realizar um geomapeamento e saber onde esses alunos moram e em quais condições. Se são do grupo de risco da Covid-19, se moram com pessoas que possuem comorbidades e qual a estrutura que eles dispõem em termos de computador, internet e outros equipamentos para a realização das atividades", afirmou pró-reitora de Graduação, Marta Favaro.

As questões foram elaboradas por um grupo de trabalho que reúne diversos setores como a Prograd (Pró-reitoria de Graduação), a Proplan (Pró-reitoria de Planejamento) e o Sebec (Serviço de Bem-Estar à Comunidade). Segundo a UEL, o grupo de trabalho teve a participação também de profissionais da área da saúde.

O questionário já está à disposição dos acadêmicos no Portal do Estudante e a primeira etapa se estende até sexta-feira (19), quando a universidade espera receber as respostas de todos os 13.051 alunos da graduação.

"No segundo momento vamos identificar os que não responderam e os motivos para entrar em contato de forma individual. As questões são todas objetivas e o preenchimento é rápido. É importantíssima a participação de todos para que possamos organizar o planejamento desta possível retomada gradual", frisou Favaro.

O DCE (Diretório Central dos Estudantes) teve representantes também no grupo de trabalho e orienta os alunos a preencheram o questionário, mas alerta que o assunto da retomada das aulas precisa ser mais debatido e que o modelo das questões não é o ideal.

"O DCE e muitos centros acadêmicos são contrários a retomada das aulas agora porque muitos pontos têm que ser debatidos. Como exemplo, poderemos ter centenas e até milhares de alunos sem condições técnicas de acompanharem as atividades e desta forma serem excluídos deste processo de volta. O questionário deveria ter sido a primeira ação para a partir do conhecimento da realidade dos acadêmicos começar a se discutir o retorno das atividades", comentou Paulo Henrique Silva, estudante do último ano do curso de Psicologia e secretário do DCE.

De acordo com Silva, alguns cursos estão buscando equipamentos para auxiliar alunos que não têm condições, mas esse esforço "não será suficiente para atender a todos que necessitam". "A UEL é referência em serviços, estudos e pesquisas, inclusive no combate à pandemia do coronavírus. Retomar as aulas agora irá fazer com que muitos profissionais que estão na linha de frente do combate à Covid-19 tenham que voltar para as salas de aula e isso irá trazer um grande prejuízo para toda a sociedade", apontou o representante do DCE.

Se a proposta de retomada das aulas de forma não presencial for aprovada nos próximos dias pelo Cepe, com projeção do retorno das atividades presenciais quando as condições sanitárias permitirem, o ano letivo de 2020 será encerrado em 28 de junho de 2021.

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