Londrina – Salas vazias, campus em silêncio. Foi assim quase todo o dia de ontem nas dependências da Universidade Estadual de Londrina (UEL). A instituição teve as atividades paralisadas por 24 horas a fim de chamar a atenção do governo do Estado para a insatisfação de professores, alunos e servidores técnico-administrativos. Pela manhã, uma assembleia unificada reuniu cerca de 600 pessoas no Centro de Educação Física e Esporte (CEFE) e decidiu que no próximo dia 24 de abril ação semelhante deverá ocorrer. Na oportunidade, poderá ser votado um novo indicativo de greve. A assembleia está prevista para acontecer na Concha Acústica e será seguida de passeata.
Diretora de Comunicação do Sindicato dos Professores do Ensino Superior Público de Londrina e Região (Sindiprol/Aduel), a professora Sílvia Alapanian relata que a adesão à mobilização foi de mais de 90% da comunidade universitária. Houve panfletagem nas entradas da universidade, no início da manhã, e também no Hospital Universitário (HU), no período da tarde. "Nossa reivindicação principal é a questão do Paranáprevidência. A proposta do governo é mais do mesmo. Ele arrumou outro jeito de usar os recursos do sistema", comenta.
Conforme ela, a alternativa do governo não atende a categoria, tanto que uma terceira paralisação pode ocorrer ainda neste mês com a votação do projeto de lei na Assembleia Legislativa. Ao mesmo tempo, a comunidade acadêmica, reforça Sílvia, se preocupa com a situação financeira da universidade. Os recursos para o custeio do primeiro trimestre chegaram há poucos dias, mas não representam a totalidade esperada para honrar os compromissos da instituição. "São 60% e o pagamento referente ao ano passado continua sem ser feito", diz.
Ainda segundo a porta-voz do sindicato, a UEL lida com a falta de aproximadamente 300 servidores, sendo 94 professores e mais de 200 técnicos. Aprovados em concurso, eles aguardam a nomeação para assumir a função em Londrina. "Muitos já fizeram exame médico, foram aprovados e já estão morando na cidade, esperando há dois anos para serem chamados", observa Sílvia, ao pontuar que parte destes postos de trabalho são substituídos por contratos temporários. Uma reunião na noite de ontem no Centro de Educação, Comunicação e Artes (CECA) da UEL ainda iria fazer uma avaliação da paralisação de ontem.

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