Na Universidade Estadual de Londrina (UEL) e no Hospital Universitário (HU) o ano de 2015 deve terminar como começou. A falta de recursos financeiros e as dificuldades na reposição de funcionários foram confirmadas ontem durante audiência pública realizada na Câmara Municipal de Londrina (CML) com representantes dos servidores, docentes e técnicos da universidade e do hospital. Apesar de dois períodos de greve e protestos no primeiro semestre, a categoria afirma que a crise no setor de Recursos Humanos e no caixa da UEL persiste e ameaça a qualidade do ensino da instituição e os atendimentos no HU nos próximos anos.
Segundo o pró-reitor de Recursos Humanos da UEL, Leandro Altimari, o deficit atual de técnicos administrativos é aproximadamente 750 servidores entre universidade e HU. Além disso, o deficit de docentes chega a até 200 profissionais. "Os concursos estão sendo abertos, mas cabem ao Estado as nomeações, sendo que 195 são aguardadas. Recentemente, houve nomeação de docentes, mas ainda esperamos a confirmação dos técnicos administrativos. A quantidade de vagas ociosas é grande e pode se acentuar, pois vivemos um período com previsão de muitas aposentadorias", afirmou o representante da universidade. Na avaliação dele, a dificuldade no setor pessoal é o principal problema enfrentado pela UEL durante a crise orçamentária com o corte da verba de custeio no início deste ano. "Os repasses têm sido feitos mês a mês, mas esperamos que até o final de 2015 a situação seja regularizada após o dia 10 com o pagamento do 13º e da folha de pagamento", acrescentou.

UEL e HU revelam déficit de cerca de 750 servidores
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RAIO-X


O presidente da Assuel Sindicato, Marcelo Seabra, afirmou que o objetivo da assembleia é apresentar à sociedade as condições reais de funcionamento no campus da UEL e do HU, além de cobrar o repasse das verbas para custeio e as nomeações atrasadas. "Sem a presença de um representante do governo, o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) apresentou que o Estado do Paraná tem a previsão de aumentar a arrecadação em 15% neste ano. Ou seja, tem dinheiro em caixa, mas não entendemos o motivo da falta de repasses e ausência de contratações, apesar do momento favorável", criticou. Seabra adiantou que deve encaminhar ao Ministério Público documentos e as informações discutidas na audiência. De acordo com o Dieese, o aumento de impostos, como IPVA e ICMS, colaborou com o caixa do governo estadual, no entanto, o impacto da inflação no bolso do paranaense foi de até 2% a mais do que no restante do País. "Quem bancou o acréscimo de receita foram as empresas, que perderam competitividade, e as famílias, prejudicadas pela queda no poder de compra", comentou o economista do Dieese, Cid Cordeiro.

Comitê de crise


A vereadora Lenir de Assis (PT) afirmou que a Câmara Municipal deve formar um comitê para acompanhar a crise na UEL e no HU. Ela lembrou que o governo estadual prometeu melhorias durante as negociações no período de greve, mas as medidas não foram cumpridas até o final do ano. "Os relatos são de que a situação piorou no campus e no hospital por falta de recursos ou de funcionários para atendimento nos setores. Londrina depende da UEL e do HU. Não dá pra imaginar a cidade e a região sem o hospital referência para vários municípios", comentou.

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