O pró-reitor da Coordenadoria de Assuntos de Ensino e Graduação (CAE) da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Jairo Queiroz Pacheco, acredita que o ciclo de debates do V Encontro ''O negro na universidade: o direito à inclusão'' irá colaborar para que a instituição defina sua postura com relação ao sistema de cotas para negros. Ele reafirmou que, por enquanto, a UEL não tem posição sobre o assunto.
''É um caso de política de inclusão que tem de ser visto num contexto mais amplo. Já temos algumas experiências nesse sentido na UEL, com o vestibular para povos indígenas e o cursinho pré-vestibular que tem, como critério de seleção, o perfil sócio-econômico'', ressaltou. Segundo Pacheco, a discussão da cota para negros deverá interagir com a questão da cota para alunos oriundos de universidades públicas. ''Queremos que essas definições saiam até o final de junho, que é o prazo para definição do edital do vestibular de 2005'', destacou.
O pró-reitor explicou que no concurso vestibular deste ano, pela primeira vez, foram aplicados questionários sócio-educacionais aos candidatos. Daí devem sair, em breve, dados inéditos sobre o número de estudantes negros que ingressaram na UEL. ''Estamos finalizando a tabulação dos aprovados. Os dados deste ano já darão uma composição do perfil racial dos alunos, que difere pouco de um ano para outro''.
Com relação aos candidatos, alguns dados já são conhecidos. Entre os 36,7 mil inscritos do vestibular 2004, 10,8% se declararam mestiços e apenas 2,5% se disseram negros. No critério de renda familiar, 1,7% dos inscritos relataram que a família ganha até R$240,00; 14,36% disseram ter renda familiar entre R$241,00 e R$720,00; e a maioria, R$18,74%, declarou renda de até R$1,2 mil.
Os vestibulandos também responderam sobre a origem escolar. Aqueles que disseram ter concluído integralmente os estudos do Ensino Médio em escolas públicas somaram 41,04%. Já os oriundos de escolas particulares foram 44,96%. Nesse quesito, a UEL possui dados fechados sobre o vestibular do ano passado. O número de aprovados em escolas públicas sobe: foram 44,75% dos candidatos. Estudantes da rede privada somaram 41,77% dos aprovados.
''A média é muito boa, mas varia muito de curso para curso. Em medicina, por exemplo, menos de 10% dos alunos concluíram os estudos na escola pública. Em outros cursos esse número sobe para até 70%'', afirma Pacheco. (V.N.)

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