A UEL (Universidade Estadual de Londrina) decidiu manter as aulas até o sábado (26), mesmo com a falta de combustíveis e a redução no transporte coletivo, na contramão de outras instituições de ensino superior do Paraná. O CEPE (Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão) votou pela manutenção das atividades em reunião na tarde desta quinta (24), mas a reitoria se reúne na sexta (25) para avaliar a intensidade da greve dos caminhoneiros para definir se mantém as aulas na próxima semana.

A decisão da CEPE, entretanto, cria uma "flexibilização" das atividades essenciais, de modo a não prejudicar alunos que não consigam frequentar as atividades acadêmicas por dificuldades de transporte. A decisão prevê flexibilização do calendário para provas, atividades especiais e essenciais.

A decisão da UEL difere do que decidiu a Unicentro (Universidade Estadual do Centro-Oeste) e Unioeste (Universidade Estadual do Oeste do Paraná). A reitoria da Unicentro decidiu suspender as aulas a partir do turno noturno desta quinta, " em virtude da paralisação nacional no setor de transportes, que dificulta o deslocamento dos alunos para frequentar aulas e para resguardar a segurança da comunidade universitária". A suspensão vale " até que a situação retorne à normalidade", mas

A Reitoria da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), em virtude da paralisação nacional no setor de transportes, que dificulta o deslocamento dos alunos para frequentar aulas, e para resguardar a segurança da comunidade universitária, comunica, conforme Resolução nº 112-GR/Unicentro, a suspensão das aulas, a partir do período noturno desta quinta-feira, 24 de maio, até que a situação retorne à normalidade, mas ficaram mantidas as atividades administrativas e os serviços considerados essenciais.

No caso da Unioeste, a suspensão do calendário acadêmico também vale a partir desta quinta e o ato da reitoria que oficializa a decisão ressalta que as atividades realizadas no período devem ser formalizados para posterior convalidação.

Transporte de alunos

A paralisação dos caminhoneiros começa a afetar a vida de moradores de outras cidades que trazem para Londrina estudantes secundaristas, universitários e trabalhadores. Apesar de não haver bloqueio para a passagens destes veículos, a falta de combustíveis preocupa os empresários do ramo.

É o caso de Marco Antônio Januário, que atua no ramo há 24 anos. Com uma frota de 20 vans, microonibus e ônibus, Januário afirma que não conseguiu trazer estudantes para Londrina na terça-feira (22), mas atribui o bloqueio a outros motoristas de vans. "Fecharam o pedágio entre Arapongas e Rolândia no fim da tarde e só liberaram por volta das 19h30, mas aí as aulas já tinham começado. Nos outros dias, não houve problema", afirma o empresário, que diz ter combustível suficiente para a próxima semana. "Até o domingo, consigo trazer os trabalhadores. Na segunda-feira em diante, não vai dar", afirma.

Marcos Aurélio Leite diz que nunca teve problemas para passar pelos manifestantes nas rodovias. "Eu passo direto todos os dias, assim como os ônibus de passageiros que não trazem cargas", explica o empresário, que traz estudantes para a UEL (Universidade Estadual de londrina), Unifil e três colégios particulares.

Leite afirma que tem trazido os alunos e aproveitado para abastecer a cada cem quilômetros rodados, evitando, assim, que pare por desabastecimento. "Eu estou rodando na prevenção, mas isso só e possível porque esta paralisação foi muito bem organizada. Não impediram a passagem de ninguém, só de cargas. Nunca vi um movimento tão organizado", diz.

"Quando nos param no bloqueio, os caminhoneiros perguntam sobre o transporte. Quando dizemos que é de trabalhadores, eles liberam prontamente. Mas há casos quando transportamos alunos ficamos parados por algum tempo, porém, logo depois, eles liberam", afirmou o motorista de van José Roberto, de 63 anos, que trabalha no transporte de passageiros de Arapongas para Londrina. "Apoiamos a causa dos caminhoneiros pois o combustível está caro demais. E, em todas as vezes que fui parado, houve muito respeito."

COLÉGIOS ESTADUAIS
A chefe do Núcleo Regional de Educação de Londrina, Luzia Maria de Jesus Alves, informou que as aulas estão garantidas até esta sexta-feira (25). Segundo ela, muitos professores foram impactos pelos bloqueios e pela falta de combustíveis, além dos ônibus do transporte escolar.
O serviço de entrega de merendas também foi suspenso. "Recebemos hoje [quinta] um ofício do Fundepar informando que a suspensão da entrega das merendas. Estamos fazendo um levantamento com os diretores dos colégios para fazer o remanejamento do estoque para garantir que as aulas continuem pelo maior tempo possível", contou. De acordo com Luzia Alves, se as manifestações persistirem, a situação será reavaliada na próxima segunda-feira. (Colaboraram André Bueno e Celso Felizardo)

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