UEL dá prazo para fim das ocupações
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terça-feira, 15 de novembro de 2016
Viviani Costa<br>Reportagem Local 

Após reunião de negociação entre representantes do movimento estudantil e a reitoria da Universidade Estadual de Londrina (UEL), os alunos receberam prazo até sexta-feira (18) para desocupar a reitoria, o Centro de Educação, Comunicação e Artes (Ceca) e a Rádio UEL FM. Segundo a reitora Berenice Jordão, houve acordo com os integrantes do movimento depois de debate sobre as reivindicações do grupo.
"A negociação foi bastante longa e as dúvidas foram esclarecidas. Foi acordado que eles terão o prazo que eles dizem ser necessário para fazer o chamamento de uma nova assembleia com os estudantes. Nós demos a sexta-feira como prazo final para a desocupação de todos os espaços, até as 9 horas da manhã", reforçou Berenice. A reitora afirmou ainda que o prazo "independe do resultado da assembleia". "Se não houver obediência a esse acordo, teremos que pensar em outras medidas", concluiu.
A UEL começou a ser ocupada pelos estudantes no final de outubro. Na primeira semana de novembro, o movimento seguiu para a Rádio UEL e a reitoria. Em nota, a reitoria da universidade se comprometeu a discutir propostas de ampliação e reforma da Moradia Estudantil em reunião do Conselho de Administração marcada para o dia 23 de novembro. Um grupo de trabalho também deve ser criado para debater mudanças no regimento da moradia.
A reitoria reforçou ainda que é favorável à política de cotas e contrária aos projetos de reforma do ensino médio e da escola sem partido. Caso a Rádio UEL seja desocupada, representantes dos estudantes, professores e funcionários terão espaço na programação. O calendário acadêmico ainda será analisado.
Para uma das integrantes do comando de greve estudantil, Ana Rosisca, houve avanços na reunião realizada na manhã desta segunda-feira com a reitora. "Alguns pontos foram atendidos como a não retaliação e a não criminalização dos estudantes. A reitora também vai agendar uma reunião com a prefeitura para que não seja cortado o passe livre", comentou.
Os estudantes marcaram uma nova assembleia para esta quinta-feira (17) para deliberar sobre os rumos da greve estudantil e das ocupações. "Eu não tenho como garantir a desocupação. A gente teve um posicionamento final da reitora. Ela avançou em vários pontos, em outros nem tanto. É a assembleia que vai decidir sobre a desocupação", afirmou.
O balanço da reunião com a reitora foi repassado durante a tarde aos demais participantes das ocupações no campus. Apesar do cansaço, os grupos se revezam durante todo o dia para reivindicar melhorias na educação e se posicionar contra as propostas do governo federal. "Acho que é um levante, uma tomada de consciência em relação aos ataques que a gente está sofrendo. É para cima da gente que vai vir o corte de verbas no posto de saúde, na educação, vai ser concreta essa retirada de direitos. A gente sabe que é mais do que necessário um movimento como esse", afirmou Ana ao avaliar a mobilização dos estudantes em todo o País. Segundo a União Nacional dos Estudantes (UNE), mais de 200 universidades estão ocupadas no Brasil.
Nos demais departamentos da UEL, as aulas seguem normalmente. No entanto, algumas atividades estão sendo prejudicadas. "Tem alunos em greve no curso e os professores deixam de dar provas e trabalhos por causa disso. Acho que a manifestação tem pontos positivos, mas, ao mesmo tempo, prejudica as aulas", lamentou a estudante de Economia Mayara Camargo. "Acho que eles têm uma pauta de reivindicação válida, mas eu não acho que a ocupação seja o melhor jeito de reivindicar isso", defendeu o estudante de Direito Lucas Simões.


