A UEL (Universidade Estadual de Londrina) aprovou a criação do curso de Relações Internacionais, que deverá complementar a grade oferecida pelo Centro de Letras e Ciências Humanas (CLCH). A proposta partiu do Departamento de Ciências Sociais e foi analisada pelos conselhos de Centro, de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) e de Administração (CA). A solicitação segue agora para a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), responsável pela implementação da nova graduação.

A proposta prevê implantar a graduação de Relações Internacionais (Bacharelado), com duração de quatro anos, no período vespertino, com carga horária total de 2.780 horas, oferecendo 45 vagas anuais. A organização foi pensada seguindo um caráter multidisciplinar com dois eixos centrais, o do comércio exterior e negociação e resolução de conflitos. Além do CLCH, outros centros de ensino como o Centro de Estudos Sociais Aplicados (Cesa) e Centro de Ciências Exatas (CCE) estarão presentes na grade curricular do curso por conterem disciplinas no eixo de formação.

De acordo com o projeto político-pedagógico da graduação de Relações Internacionais, a formação preconiza graduar profissionais capazes de compreender as relações políticas e econômicas estabelecidas entre os diversos atores no ambiente internacional. O objetivo fundamental do curso é oferecer uma formação teórico-metodológica voltada tanto para o mercado quanto para a pesquisa e o exercício profissional que capacite o graduado a uma reflexão competente e eticamente orientada sobre a realidade internacional em sua área de atuação.

O processo de liberação agora depende da aprovação de recursos humanos e financeiros, necessário para oficialização da graduação e abertura das vagas no vestibular. Segundo a Diretoria de Planejamento e Integração Acadêmica da Pró-Reitoria de Planejamento (Proplan) somente após a conclusão dos trâmites e da autorização por parte do Estado via Seti, efetivamente ocorrerá a implementação do curso.

Para a reitora Marta Favaro, a criação da graduação em Relações Internacionais amplia a capacidade da UEL de responder à demandas históricas da região e do próprio Estado. “Ao mesmo tempo, reafirma nossa missão com o desenvolvimento e a transformação social e econômica da região e do Brasil. O curso nasce da articulação entre diferentes Centros de Estudos, o que expressa a vocação multidisciplinar da Universidade e fortalece a integração entre ensino, pesquisa e extensão”, destaca.

Importante estratégia para desenvolvimento regional

A professora Renata Schlumberger Schevisbiski do Departamento de Ciências Sociais e Vice-Diretora do CLCH, responsável pela apresentação da proposta nos Conselhos, informou que além do apoio das Pró-reitorias e departamentos envolvidos da UEL, a defesa da criação do curso envolve a comunidade acadêmica nacional, especialmente lideranças institucionais da área de Relações Internacionais junto à Capes e ao CNPq. Após autorização do curso, espera-se firmar parcerias locais com setores do Agronegócio e com empresas que atuam em Londrina e região.

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“A criação do curso se constitui como importante estratégia para o desenvolvimento regional de Londrina e do Norte do Paraná”, afirma a docente, preparando profissionais para o incremento das relações comerciais com outros países e para a compreensão dos desdobramentos sociais e políticos desta inserção na economia global. Do ponto de vista econômico, continua a professora, a graduação em RI em uma cidade como Londrina conta com um alto potencial de internacionalização.

Somente em Curitiba e Foz

A oferta do curso de RI no Paraná concentra-se em Curitiba, com nove cursos, e em Foz do Iguaçu (Oeste), com a oferta de dois cursos.

Trata-se de uma demanda de mais de uma década da instituição, considerando que o curso de bacharelado em Relações Internacionais foi aprovado na UEL em 2012, conforme (Resolução CEPE/CA Nº 103/2012). A proposta permaneceu aguardando autorização governamental para abertura. Em 2018 foi formada uma Comissão para adequar o Projeto Pedagógico do Curso às Diretrizes Curriculares. Segundo o documento, a proposta mais recente ampliou a carga horária dedicada a temas fundamentais como direitos humanos, meio ambiente, diversidade étnico-racial, ética, inovação e sustentabilidade, de forma a atender aos compromissos legais e formativos exigidos pelo Ministério da Educação (MEC) e incluiu a curricularização das atividades de extensão (AEX).

Relevância no cenário atual

Para a cidade de Londrina, a relevância do curso se justifica pela atuação em negociações relacionadas à exportação, pois o município é um polo com potencial no setor de Agronegócios e na venda de soja, extratos de café e chá, milho, trigo e defensivos agrícolas entre os principais, diz o texto.

Ainda segundo o arquivo, os profissionais da área estarão capacitados para desempenhar atividades com interface internacional nas esferas pública e privada, como empresas, consultorias, mercado financeiro, instituições de ensino superior, organizações não governamentais, governos e organizações internacionais.

No mercado atual, profissionais da área de relações internacionais são indispensáveis na condução de negociações, consultorias e mediação de conflitos, atuando também na diplomacia. Além disso, estarão aptos para lidar com a crescente complexidade do mundo dos negócios globalizados em um contexto de internacionalização dos mercados.

(Com informações da Agência UEL)

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