Londres, 13 (AE-AP) - A Europa adotou hoje (13) uma dura posição contra o golpe no Paquistão e suspendeu a assinatura de um acordo de cooperação com o país, enquanto os EUA mantiveram o tom moderado da véspera - limitando-se a pedir o rápido retorno à democracia - e o Fundo Monetário Internacional (FMI) indicou que, antes de decidir o que fazer, esperará para ver como será o novo governo de Islamabad.
Num comunicado, a União Européia (UE), principal parceira comercial paquistanesa, condenou duramente a derrubada do governo democraticamente eleito de Nawaz Sharif e exigiu o rápido retorno ao poder civil no Paquistão. "A UE não pode, em nenhuma circunstância, aprovar o uso de meios extraconstitucionais e não-democráticos em nenhum país, e pede que os militares paquistaneses respeitem a democracia e o processo parlamentar", assinalou a presidente de turno da comunidade, a Finlândia. "A UE está profundamente preocupada quanto às implicações do ocorrido para a estabilidade regional no sul da ásia."
A Comissão Européia (braço executivo da UE) anunciou que a assinatura de um tratado de parceria e cooperação com Islamabad, prevista para o dia 20 em Bruxelas, foi suspensa. E cancelou um encontro entre diretores políticos da comunidade e funcionários paquistaneses, que estava marcado para o dia 21.
O diretor-geral do FMI, Michel Camdessus, também enviou sinais de advertência ao Paquistão, dizendo não estar "seguro" de que o organismo (que retomou em janeiro o envio de parcelas de um empréstimo de US$ 1,5 bilhão a Islamabad, aprovado em 1997) possa ajudar o país depois do golpe. Mas o diretor do Departamento de Relações Externas do FMI, Thomas Dawson, disse que, por enquanto, não se pode admitir nem descartar a possibilidade de trabalhar com um futuro governo militar em Islamabad.
Dawson afirmou que o fundo (que, há 19 anos, emprestou dinheiro ao governo militar da época no Paquistão) não agirá contra a vontade da comunidade internacional. "A mudança no governo terá implicações em como atuaremos. Se houver preocupações na comunidade internacional em uma direção, o fundo não seguirá na direção oposta." Na mesma linha, o Banco Mundial informou que acompanhará a situação para ver se o novo governo terá um mandato legal antes de decidir se adotará ou não sanções.
O governo americano recusou-se a informar claramente se se oporá a novos empréstimos do FMI ao Paquistão. A secretária de Estado Madeleine Albright disse apenas que "ocupações militares desse tipo tornam difícil fazer negócios como de costume", acrescentando: "Esperamos que haja um retorno ao poder democrático no Paquistão e queremos ouvir quais são seus planos."
Em Brasília, funcionários do Itamaraty disseram que o governo brasileiro "não costuma manifestar-se" sobre um "assunto interno" de outra nação.

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