UE questiona se convém negociar acordos com Mercosul
Bruxelas, 28 (AE-ANSA) - Fontes da Comissão Européia, organismo executivo da União Européia (UE), puseram hoje em dúvida se em novembro vão poder começar as negociações para liberalizar o comércio com o Mercosul, como estava previsto, por causa da crise entre os principais parceiros do bloco subregional, Brasil e Argentina.
As fontes, de pelo menos dois países, disseram que dada as diferenças existentes entre argentinos e brasileiros, a UE não pode continuar avançando nos preparativos da reunião com o Mercosul.
A UE e o Mercosul decidiram na Cúpula do Rio, no final de junho, que em novembro deviam ser iniciadas em Bruxelas (Bélgica), discussões para a abertura comercial entre os dois blocos, embora até agora as partes tenham evitado falar do início de uma zona de livre comércio.
As discussões na Bélgica começariam pelo levantamento de barreiras ao comércio, fora as tarifárias. A UE fechou esse acordo com o Mercosul na reunião do Rio depois de um difícil processo anterior, dadas as diferenças internas com relação à abertura comercial.
A França se opõe à abertura porque seus agricultores temem a produção sul-americana. A Espanha, por sua vez, tem uma postura mais flexível. Essa controvérsia fez com que se conseguisse somente um mandato parcial para início das conversações, excluíndo a figura da "zona de livre comércio".
Agora, na avaliação dos analistas, a França procurará aproveitar ao máximo as diferenças argentino-brasileiras para frear o processo de acordo comercial. Uma fonte da delegação francesa disse hoje que não é conveniente começar um diálogo com um bloco que está "virando fumaça".
A crise no Mercosul causou preocupação à Finlândia, presidente pró-tempore da UE. Os próprios finlandeses acham difícil iniciar acordos enquanto os rumos da crise argentino-brasileira não ficarem certos. A delegação francesa acha que, por enquanto, a UE não tem como negociar com o Mercosul e espera uma solução da crise no bloco subregional para os próximos dois meses. Só assim, dizem, os encontros de novembro estariam garantidos.





