UE quer começar já discussão sobre proteção agrícola
PUBLICAÇÃO
sábado, 26 de junho de 1999
Por Eliane Azevedo 
Rio, 27 (AE) - A União Européia (UE) quer começar imediatamente a conversar com o Mercosul sobre as difíceis negociações que serão travadas na Rodada do Milênio da Organização Mundial do Comércio (OMC) a respeito da proteção aos produtos agrícolas. "Queremos abrir o diálogo imediato para harmonizar posições sobre as negociações na OMC", afirmou o ministro de Negócios Estrangeiros de Portugal, Jaime Gama. A UE está preocupada em garantir uma base mínima de apoio com o Cone Sul, aliado de primeira hora dos EUA contra o protecionismo europeu.
Gama admitiu que os países do bloco europeu estão no que classificou de "uma corrida contra o tempo" em relação aos americanos por uma aproximação maior com o Mercosul. "O único conteúdo útil e prático que esta Cimeira deveria ter era transmitir o anúncio da abertura das negociações de livre comércio com o Mercosul", disse ele.
Hoje o chanceler espanhol, Abel Matutes, afirmou, antes da reunião conjunta de ministros de Relações Exteriores dos 48 países participantes, que a Espanha preferia deixar definida a data de início das negociações prevista no mandato negociador da UE: 1º de julho de 2001.
Para Portugal, porém, a declaração conjunta dos presidentes dos dois blocos tem de ser genérica. "Vamos dizer: estão abertas as negociações", apontou. "Não temos que dizer datas ou prever a conclusão". O ministro, no entanto, reiterou o interesse português em fechar o mais rápidamente possível o acordo com o Mercosul. Portugal, ao lado da Espanha e Alemanha, defendia o início no ano que vem das conversas.
Mais de 70% do comércio exterior de Portugal é mantido com a própria União Européia. "Queremos diversificar nosso comércio", afirmou Gama, que lembrou o grande investimento que o país fez no Brasil nos últimos anos. Com o Cone Sul, segundo ele, a UE quer criar uma relação tão próxima quanto a que estão reivindicando os países europeus candidatos a integrar o bloco. "Com a Cimeira, o Brasil assumiu uma projeção espetacular como líder da América Latina", disse.


