Paris, 08 (AE) - Não é só a ascensão do partido de Joerg Haider na áustria que preocupa os europeus. Paralelamente, outras manifestações neofascistas têm ocorrido na Europa, em países como a França, Espanha e Itália, desconectadas com o que se passa na áustria, mas que suscitam igualmente a reprovação da opinião pública.
Por isso, a União Européia pretende agilizar a cooperação para conter esses grupos, normalmente constituídos por jovens europeus extremistas, identificados com certas ideologias racistas e nazifascistas. Um dos exemplos dessa deriva ocorreu em Roma, no dia 30, em pleno Estádio Olímpico, durante uma partida de futebol do Lazio contra o Bari. Uma faixa foi aberta nas arquibancadas em homenagem a Arkan, o assassinado criminoso de guerra e principal dirigente de uma facção extremista sérvia, responsável por crimes cometidos durante a guerra da Bósnia e suspeito de outros crimes praticados em Kosovo.
Nesse mesmo dia, outras faixas foram abertas revelando cruzes celtas e perfis estilizados de Benito Mussolini, chocando a opinião pública, com exceção da neta do Duce, Alessandra Mussolini, deputada do partido pós-fascista italiano Aliança Nacional, satisfeita com a comparação entre seu avô e o dirigente ultranacionalista sérvio, executado por um comando em Belgrado no hall do Hotel Intercontinental. O Lazio mantém em sua equipe dois jogadores de origem sérvia, Stankovic e Mihajlovic, que chegaram a saudar essa parcela da torcida.
Não é a primeira vez que torcedores minoritários italianos glorificam o fascismo. Em outras ocasiões eles chegaram a exibir uma cruz de guerra do 3º Reich. Esses grupos manifestam também um forte anti-semitismo repetindo, no interior dos estádios, slogans dos mais agressivos: "Auschwitz, sua pátria" ou "Go home to Auschwitz".
Mesmo sendo manifestações marginais, como o futebol é uma caixa de ressonância muito importante, ampliada pela televisão, esses episódios estão se transformando num assunto de Estado. O governo italiano prometeu interromper as partidas para que as faixas sejam retiradas em caso de repetição. Sanções também poderão ser impostas ao clube anfitrião da partida. Na Espanha, tanto o Barcelona como o Español, da Catalunha, foram advertidos e solicitados a aderir à campanha iniciada pelo governo da Itália. O prefeito regional da Catalunha, Julio Garcia Valdescas, em carta aos presidentes desses dois clubes, pediu cooperação para a prevenção de certas atitudes intolerantes, lembrando o artigo 66 da lei que regulamenta o futebol espanhol. No Nou Camp, o estádio do Barcelona, não é raro ver símbolos neonazistas exibidos por alguns torcedores extremistas.
Soma-se a isso a explosão de violência xenófoba, com manifestações antiimigrantes como as que estão ocorrendo na Andaluzia.
Na França, o Paris Saint Germain também tem problemas com uma parte de sua torcida, jovens skinheads neo-nazistas e contra imigrantes que não poupam também alguns de seus jogadores de violentos ataques racistas quando as coisas não andam bem para o clube. Um forte sistema de segurança tem contribuído para reduzir o impacto dessas manifestações, além de uma legislação específica, votada as vésperas da Copa do Mundo. O goleiro Lama tem sido uma das vítimas de racismo desses torcedores. As medidas adotadas até agora parecem insuficientes para conter essa evolução perigosa na Europa, que vive um dos períodos mais prósperos de sua história.