UE investiga Coca-Cola por concorrência ilegal
Bruxelas, 22 (AE-AP) - Agentes da Comissão de Concorrência da União Européia (22) percorreram os escritórios da multinacional Coca-Cola em quatro países europeus para investigar as suspeitas de práticas ilegais no mercado. A companhia estaria abusando de sua posição como principal fabricante mundial de refrigerantes e oferecendo aos seus clientes no varejo incentivos ilegais com o objetivo de atingir a concorrência. A direção da Coca-Cola confirmou hoje (22) que agentes da UE realizaram "visitas não anunciadas previamente" aos seus escritórios na Grã-Bretanha, Alemanha, áustria e Dinamarca, onde foram apreendidos vários documentos. O Comissário de Concorrência da UE, Karel Van Miert, também confirmou a ação de seus funcionários. "Uma companhia dominante em qualquer mercado não pode intimidar indiretamente a concorrência, pressionando seus clientes para reduzir a compra dos produtos de seus concorrentes", justificou. O diretor-chefe da Coca-Cola na Dinamarca, Svend Ivan Petersen, disse que a empresa "ficou naturalmente muito surpresa com a ação dos funcionários da UE". "No entanto, abrimos nossos arquivos e apresentamos o material requisitado pela comissão. Tentamos colaborar. No entanto, não entendemos as acusações, não fizemos nada de errado", afirmou Petersen. O escritório da companhia em Londres afirmou numa declaração que "cooperou plenamento com a investigação". "Acreditamos firmemente que a mesma provará que cumprimos com o espírito de todas as leis sobre a concorrência", conclui a nota. Aparentemente, os inspetores da UE procuravam provas de que a Cola-Cola estava oferecendo aos comerciantes incentivos para que aumentassem as vendas de seus produtos e deixassem de vender as bebidas de companhias concorrentes. Na semana passada, a Comissão multou a British Airways em US$ 7 milhões por oferecer incentivos similares aos agentes de viagem. Não está claro se a Comissão decidiu intervir depois de receber queixas de um dos concorrentes ou de comerciantes descontentes. A regulamentação da concorrência comercial é um dos poucos setores em que os governos das 15 nações que compõem o bloco cederam sua autoridade à UE. A acusação de concorrência irregular é um novo golpe para a Coca-Cola européia que, recentemente, teve de retirar seus produtos de circulação em diversos países da UE depois que alguns estudantes na Bélgica passaram mal após beber o refrigerante Coca-Cola. As autoridades européias vão analisar o material apreendido nas visitas e poderão decidir por uma investigação em grande escala. De acordo com as normas da UE, as empresas consideradas culpadas de quebrar os regulamentos sobre a concorrência comercial poderão ser multadas em até 10% de seu faturamento.





