UE e Mercosul devem ter maior integração, destaca chanceler alemão
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quarta-feira, 14 de abril de 1999
por Isabel Braga 
Bonn, 15 (AE) - O chanceler da Alemanha, Gerhard Schroeder, manifestou há pouco sua disposição de se empenhar, junto aos governos dos 15 países-membros da União Européia (UE), no sentido de que confiram à Comissão Européia mandato para negociar um acordo de maior integração entre a UE e o Mercosul. O assunto deverá ser objeto de negociação durante a Cúpula União Européia-América Latina-Caribe, em junho próximo, no Rio de Janeiro. Desde já, no entanto, Schroeder advertiu que, "por mais importantes que sejam os interesses agrícolas de alguns países da União Européia, não podemos impedir a penetração, nos mercados como o sul-americano , de produtos industrializados da Europa", significando com isso que é preciso haver abertura a produtos europeus também no Mercosul, que, por seu turno, reclama do protecionismo europeu em relação a seus produtos agrícolas. Schroeder ponderou que não é fácil conciliar interesses, muitas vezes divergentes, dos 15 países que são membros da UE.
Kosovo- O presidente Fernando Henrique Cardoso disse, logo após o encontro com o chanceler Schroeder, que a proposta alemã para pôr fim ao conflito no Kosovo - suspensão dos bombardeios por 24 horas no momento em que os sérvios retirarem suas tropas da região, criação de uma força de paz conjunta ONU-OTAN e de uma administração provisória exercida pela União Européia na província sérvia, e persuação do secretário-geral da Onu, Kofi Annan, para que aceite esse plano - "merece o apoio do Brasil".
"O Brasil vai empenhar-se junto à Rússia e à Iugoslávia - já que é membro do Conselho Permanente da ONU - para colaborar na solução", anunciou Fernando Henrique, depois de o chanceler alemão haver ressaltado que o apoio brasileiro é importante, já que o País mantém excelentes relações com as partes envolvidas e é membro do Conselho de Segurança. "Mas não se entenda isso como uma tentativa de não levar a sério ações de base humanitária da OTAN", afirmou o presidente brasileiro.
Elogios -Após seu encontro de trabalho de quase duas horas com o presidente Fernando Henrique, o chanceler Schroeder disse que foi um encontro de amigos e manifestou sua satisfação de ter conhecido "um dos grandes políticos da América do Sul". Schroeder lembrou que Fernando Henrique, durante seu exílio em que foi professor na França, "formou muitas cabeças" e disse que muitos revolucionários alemães foram por ele influenciados e se transformaram em reformadores.
"Se eu pude colaborar para mudar mentalidades de alguns alemães que estavam na França, hoje eu vejo que, na Alemanha, a mentalidade reformadora se fez vitoriosa", disse Fernando Henrique, ao agradecer o elogio.
No fim da entrevista coletiva que o presidente FHC e o chanceler da Alemanha concederam após a reunião-almoço na sede do governo alemão, Fernando Henrique informou que convidara Schroeder a visitar o Brasil. Schroeder, então, em tom de brincadeira, condicionou a visita a que possa assistir a uma partida de futebol e perguntou qual é o time que presidente brasileiro torcia. "Eu tenho um time em cada cidade", respondeu FHC. "Assim, V. Exa. terá que visitar todas as cidades e sentir de perto o calor brasileiro e, quem sabe, participar das comemorações dos 500 anos da Independência do Brasil", completou o presidente. "Mas eu não quero me mudar para o Brasil", brincou o chanceler alemão.
Às 17 horas, horário local (13 horas de Brasília), o presidente brasileiro vai fazer uma palestra sobre a economia brasileira na Confederação da Indústria Alemã, na cidade de Colônia, a 40 quilômetros da capital alemã. Apenas um jornal alemão, o "Generalanzeiger", de Bonn, fez referência à visita de Fernando Henrique à Alemanha. Segundo ele, o presidente brasileiro veio propor novos investimentos aos alemães.


