Luxemburgo, 24 (AE-AP) - Os ministros do Ambiente da União Européia devem adotar novas regras para suspender temporariamente os registros para o desenvolvimento de novos produtos transgênicos. A "moratória" seria uma saída até que novas regras sejam acertadas para garantir a segurança da população, acreditam as autoridades.
"Até que novas determinações sejam estabelecidas, nós não queremos que nenhum produto novo seja liberado", afirmou o ministro do Ambiente alemão, Juergen Trittin. "Será uma moratória de fato, por isso legalmente falando não podemos chamar de moratória", explicou.
As autoridades européias reuniram-se hoje em Luxemburgo para acertarem algumas alterações das regras sobre aprovação de novos transgênicos, uma vez que o temor da população sobre esses produtos tem aumentado. Essa preocupação com a segurança alimentar cresceu com os últimos casos de contaminação pela substância cancerígena dioxina, na Bélgica, e da intoxicação provocada por produtos da Coca-Cola.
A União Européia (UE) propôs mudanças no processo de autorização dos novos transgênicos que estreitam o controle de segurança e garantem mais transparência no processo de decisão de aprovação.
Todos os pedidos em andamento para novas produções estão agora interrompidos por causa dos últimos acontecimentos relacionados ao atual processo de aprovação. A UE teme ser vulnerável a ataques de seus parceiros comerciais que são mais liberais ao licenciar esses produtos.
A comissária para o Ambiente da UE, Ritt Bjeergaard, disse que estava segura de que os europeus conseguirão defender-se de desafios legais, mesmo sob as regras da Organização Mundial do Comércio.
Grupos ambientalistas receberam com satisfação a decisão que se aproxima de uma moratória. Algumas dessas organizações, contrárias a esse tipo de produtos, pedem uma moratória de cinco anos, até que se conheçam bem os impactos ambientais e à saúde. Em um documento de uma dessas organizações, os ambientalistas afirmam que "esperam que essa suspensão temporária seja um passo para uma "proibição definitiva". COCA-COLA - Hoje, o governo francês anunciou em Paris a liberação da venda dos produtos da Coca-Cola, após uma proibição de dez dias, por causa da intoxicação de consumidores provocada por lotes de bebidas provenientes de sua fábrica em Dunquerque. No entanto, o governo belga e de Luxemburgo mantêm seu bloqueio aos produtos da fábrica francesa.
A companhia norte-americana, com fábricas sob suspeita de contaminação na França e na Antuérpia, Bélgica, informou que a crise registrada na Europa deve causar um prejuízo de US$ 60 milhões em vendas no segundo trimestre de 1999. Mas a empresa informou que está confiante em relação a seus resultados financeiros para o ano 2000, alegando que o impacto negativo deve ser sentido por um período curto.
O diretor-executivo, Henry Schimberg, pediu desculpas pelo alarme sanitário ocorrido na Europa nas últimas semanas que acabou provocando a maior retirada de seus produtos do mercado. "Pedimos desculpas a nossos consumidores e clientes por toda a preocupação e inconvenientes causados", disse em um comunicado emitido na sede da Coca, em Atlanta (EUA).

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