UE deve eliminar barreiras não-tarifárias para o Mercosul até 2002
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quarta-feira, 29 de setembro de 1999
Por César Felício 
Brasília, 30 (AE) - O encarregado de negócios brasileiros na União Européia, Tomás Abadía, afirmou hoje que a entidade deverá eliminar as barreiras não-tarifárias nas relações comerciais com o Mercosul até 2002. De acordo com Abadía, somente depois da eliminação destas serão abertas as negociações para a redução das barreiras tarifárias. Apesar do impulso no cronograma de aproximação entre a União Européia e o Mercosul, Abadía deixou claro que o impasse entre os dois blocos em relação à política de subsídios agrícolas no continente europeu não deverá ser resolvido na rodada de negociações comerciais de Seattle, nos Estados Unidos, que começa este ano e está sendo chamada de "rodada do milênio".
"Os subsídios agrícolas não são o maior problema entre Europa e Mercosul e nem serão o principal tema em Seattle", disse Abadía, acrescentando que "a importância dos acordos que serão firmados nos setores de indústria e serviços serão muito maiores do que o será discutido no setor agrícola". Abadía disse que "os países do Mercosul também não se interessam em abrir totalmente certos setores, como o têxtil na Argentina, e os de calçados e automotriz no Brasil". Segundo Abadía, que classificou a política agrícola comum da Europa de "êxito espetacular", os países do bloco europeu representam um "conglomerado de interesses em delicado equilíbrio" e acrescentou que "todos os países tem sua sensibilidade e seu custo político".
O Mercosul é o principal cliente da União Européia, com um fluxo comercial superior a 30 bilhões de euros por ano. Somente no Brasil um grupo de quatro países do bloco europeu - França, Reino Unido, Portugal e Espanha - investiu US$ 21 bilhões no ano passado, segundo Abadía. No dia 24 de novembro, ministros das relações exteriores dos quatro países do Mercosul e os chanceleres dos países europeus farão uma reunião em Bruxelas para estruturar um Conselho de Cooperação entre os blocos que irá estabelecer o cronograma de aproximação.
Na reunião de Bruxelas, deverão ser assinados convênios nas áreas de ciência e tecnologia, comércio de bebidas alcoólicas e uso pacífico da energia nuclear. Segundo Abadía, a aproximação paralela que a União Européia está fazendo com o México, com quem deve assinar um acordo de livre comércio a médio prazo, servirá como catalisador para acelerar a cooperação com o Mercosul. "O acordo com o México será um precedente positivo", disse.
Abadía mostrou preocupação com as medidas restritivas tomadas pelo governo brasileiro para evitar a entrada de mão-de-obra qualificada estrangeira no País. No ano passado, cerca de 14 mil trabalhadores qualificados entraram no Brasil, número que deve ser reduzido para menos da metade este ano. "Existe a previsão de um processo de liberalização no fluxo de mão-de-obra que irá beneficiar os trabalhadores do Mercosul. São muitos os brasileiros e argentinos que querem complementar a sua formação técnica trabalhando na Europa e esta é uma via de mão dupla", disse. Abadía ressaltou, contudo, que a postura brasileira "é conjuntural, tendo sido tomada em função dos índices de desemprego no País".
De acordo com Abadía, a União Européia vê com absoluta tranquilidade a crise comercial entre o Brasil e a Argentina. "Isto é temporário e será superado. Também na União Européia atritos existem, mas há um interesse maior que sempre se sobrepõe. Os países do Mercosul vão permanecer unidos porque precisam realizar enormes investimentos em infra-estrutura e para isso irão se associar com outros blocos econômicos", disse. O encarregado afirmou ainda acreditar que o Mercosul terá a médio prazo uma moeda única. " A unificação do câmbio é fundamental para o futuro do bloco dos países sul-americanos", afirmou.


