Moscou, 15 (AE-AP) - Os ministros de Relações Exteriores dos países da União Européia (UE), reunidos em Bruxelas, condenaram nesta segunda-feira (15) o "uso desproporcional e indiscriminado da força" pela Rússia na república separatista da Chechênia.
Os diplomatas acentuaram que a ação militar tem causado duras provações para os civis e enorme deslocamento de população.
O comunicado dos chanceleres conclamou Moscou a cumprir seus compromissos com a legislação humanitária internacional, de modo a evitar vítimas entre os civis. A UE não discutiu a possibilidade de impor sanções à Rússia e reiterou seu respeito à integridade territorial do país.
Já o presidente da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), o norueguês Knut Vollebaek, pediu hoje que a Rússia fixe um prazo-limite para retirar suas tropas da Chechênia e concorde em iniciar conversações sobre a crise no Cáucaso. Do contrário, disse Vollebaek, o conflito porá em risco a assinatura de um novo pacto de controle de armas na Europa.
Sob pressão da UE e de vários países para mudar sua política para a Chechênia, o presidente Boris Yeltsin confirmou hoje que irá à reunião de cúpula da OSCE, na quinta e sexta-feira, em Istambul, na Turquia. Segundo a agência russa Interfax, Yeltsin faz questão de ir a Istambul dizer para os países ocidentais que eles não têm direito de acusar a Rússia por "destruir bandidos e terroristas" em seu território.
"Nós não vamos interromper a ofensiva enquanto houver um terrorista lá", afirmou Yeltsin, segundo a Interfax. Ele retornou hoje ao Kremlin após 20 dias de férias. O líder russo tem permanecido longos períodos longe do Kremlin por causa de sua precária saúde.
Ontem, Yeltsin elogiou o primeiro-ministro Vladimir Putin pela operação na Chechênia e reiterou que ele é seu candidato às eleições presidenciais, marcadas para 4 de junho.
A questão chechena será certamente um dos principais temas da cúpula da OSCE, por isso o governo russo tem procurado antecipar-se às críticas, enfatizando que considera o conflito - o qual denomina de luta contra o terrorismo internacional - um assunto doméstico. "Vamos, de modo firme, impedir todas as tentativas de interferência nos assuntos internos russos, não importa sob quais pretextos façam isso", acentuou o chanceler Igor Ivanov.
O presidente norte-americano Bill Clinton também estará presente na cúpula da OSCE, mas analistas políticos em Washington não esperam que ele tome uma atitude ofensiva em relação à crise no norte do Cáucaso.
Segundo o jornal The New York Times, os Estados Unidos estão tentando encontrar um ponto de equilíbrio entre sua preocupação com o controle de armas e a proliferação nuclear e a questão dos direitos humanos. Clinton teme que a ingerência na questão chechena esfrie ainda mais as relações entre os dois países.
Refugiados - O governo federal enviou tropas à Chechênia no início de outubro, depois de ter expulsado para o território checheno rebeldes islâmicos que haviam invadido a vizinha república russa do Daguestão, em agosto e setembro.
Na mesma época, a Rússia foi alvo de vários atentados que causaram a morte de cerca de 300 pessoas. Os ataques foram atribuídos pelo Kremlin aos guerrilheiros islâmicos, cujas bases ficam na república separatista.
Desde que as forças federais ingressaram na Chechênia, mais de 200.000 pessoas fugiram para a república russa da Ingushétia. A dramática situação dos refugiados agravou-se nas últimas semanas por causa da intensificação do inverno e da escassez de roupas e alimentos, o que fez com que aumentassem os apelos da comunidade internacional para uma solução pacífica do conflito.

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