Sorocaba, SP- O presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Luiz Antonio Nabhan Garcia, acusou ontem o coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) Jaime Amorim de pregar o conflito no campo. Ao falar no encerramento do 2º Fórum Social Brasileiro, anteontem, no Recife, Amorim disse que não haverá trégua na luta contra o agronegócio e que nenhum latifundiário vai ficar em paz.
''Ele pode estar na sua casa de praia, mas não vai dormir sossegado, sempre ligando para o caseiro para ver se o cadeado da porteira ainda não foi quebrado'', afirmou o líder. Para Nabhan, a frase foi entendida como uma declaração de guerra. ''Um proprietário rural, revoltado, me procurou para avisar: o primeiro que encostar a mão no seu cadeado, ele manda para o inferno.''
A declaração, disse Nabhan, é muito grave e reflete o sentimento de impunidade e de estar acima da lei do MST, que é ''incentivado'' pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. ''Não é à toa que foi feita logo depois que o presidente encheu a bola do MST e atacou os produtores rurais'', disse. Na semana passada, o presidente afirmou que desejava ser cobrado pelos movimentos sociais e, ao mesmo tempo, criticou os agricultores que não pagam os financiamentos, referindo-se a eles como ''laranjas podres''.
Nabhan Garcia disse que o presidente ''discrimina'' os produtores rurais e dá aval às ações do movimento. ''Só alguém que não está em seu juízo normal pode considerar todo esse vandalismo do MST reivindicações de um movimento social.'' A dívida do setor rural, segundo ele, é resultado da política econômica ''paternalista e populista'' do governo.
Já as invasões e os danos à propriedade alheia são crimes, mas tratados com ''leniência e conivência'' pelo governo. ''Quando começamos a não ter mais confiança na lei, a situação se torna perigosa e o aviso do produtor faz sentido.''

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