UDR prevê conflitos na região do Pontal
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quinta-feira, 26 de fevereiro de 1998
Das agências 
O presidente da UDR, Roosevelt Roque dos Santos, disse ontem em São José do Rio Preto que o presidente Fernando Henrique Cardoso e o governador de São Paulo, Mário Covas, serão culpados , se ocorrer confronto com sem-terra em São Paulo. O que pode acontecer numa dessas invasões é ocorrer inúmeras vítimas. Desde já credito a culpa ao presidente da República e ao governador de São Paulo, disse.
Santos considera iminente o risco de conflito na região de Caiuá (650 quilômetros a oeste de São Paulo), novo foco de tensão no Pontal do Paranapanema, extremo oeste do Estado.
A cidade será palco hoje da primeira manifestação pública da União Democrática Ruralista (UDR) este ano contra as invasões e de alerta ao governo. Mais de mil produtores foram convidados para o ato. Eles devem sair em carreata do município de Presidente Venceslau, pela rodovia Raposo Tavares, até Caiuá. São esperados fazendeiros também de Mato Grosso do Sul e do Paraná. A região tem sido novo foco de invasões desde o final do ano por grupos ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ou dissidentes.
Cerca de 200 trabalhadores rurais ligados ao MST invadiram, no início da noite de quarta-feira, a Fazenda Bela Vista (parte da antiga Fazenda Sapucaia), no distrito de Moreira César, em Pindamonhangaba, a 140 quilômetros de São Paulo. Eles bloquearam a estrada municipal que liga o Ribeirão Grande à SP-62, mas não houve confronto com a Polícia Militar nem com seguranças de outras fazendas, localizadas nas imediações. O acesso só foi liberado à imprensa e aos fazendeiros com propriedades na mesma área. A fazenda foi decretada pólo de coordenação das invasões no Vale do Paraíba.
O líder da ocupação e um dos coordenadores estaduais do MST, Edmar Lavrati, disse que a Bela Vista é totalmente improdutiva e pertencente ao Banco do Brasil. Sendo do Banco do Brasil, é uma área pública e tem que se prestar para fins sociais de reforma agrária, justificou. Ele afirmou que o MST vai continuar a fazer o cadastramento de famílias na região para novas ocupações no Vale do Paraíba.


