Marcos Zanatta
De Maringá
Os ruralistas da região de Paranavaí pretendem impedir as vistorias do Incra, enquanto o governo do Estado não cumprir as ordens de reintegração de posse de propriedades invadidas por sem-terra. Um documento com ‘‘reivindicações e posições’’ da regional do Paraná da União Democrática Ruralista (UDR) será entregue hoje a representantes da Polícia Militar, Incra e do governo.
A UDR espera em Paranavaí o assessor para Assuntos Fundiários do Estado, Antônio Carlos da Costa Coelho, o superintendente do Incra no Paraná, José Carlos de Araújo Vieira, e o comandante do 8º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Alberto Augusto da Silva.
O coordenador geral da UDR no Paraná, Tarcísio Barbosa de Souza, disse ontem à Folha de Londrina/Folha do Paraná que até sindicatos de trabalhadores rurais estarão na reunião, para cobrar uma posição do Incra sobre o cadastro de sem-terra. O principal ponto a ser debatido na reunião, que começa às 14 horas no Sindicato Rural Patronal de Paranavaí, será o impedimento das vistorias do Incra.
Souza diz que enquanto o Estado não cumprir a reintegração de posse de sete propriedades ‘‘prioritárias’’, os produtores vão impedir as vistorias. ‘‘Nem que for para ficarmos na frente da porteira para impedir a entrada dos técnicos’’, avisou.
Das mais de 20 propriedades com reintegração concedidas pela Justiça, apenas oito foram cumpridas. ‘‘Nos últimos três meses, nenhuma área foi desocupada e Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) está se articulando novamente na região’’, alerta. Segundo Souza, o movimento está deslocando sem-terra de São Paulo, Mato Grosso do Sul e do Sul do Paraná para a região. O clima de terrorismo, garante ele, está voltando para as cidades da região de Querência do Norte, onde está a maior parte dos acampamentos. O líder ruralista lamenta que mais de 300 famílias de cidades próximas a Paranavaí estejam cadastradas no Incra, enquanto o MST continua trazendo pessoal de fora para os acampamentos.

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