Marília, SP, 30 (AE) - A presidente da União Democrática Ruralista (UDR) do Pontal do Paranapanema, Tânia Tenório de Farias, rebateu hoje (30) as declarações do ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann de que estaria havendo "conluio" entre fazendeiros e sem-terra na invasão de terras. Ela negou qualquer acordo.
"O ministro tenta minimizar o grave problema de desestímulo do setor agropecuário que as invasões provocam, mas, na verdade, foi Jungmann quem recentemente chamou este bando do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra), de parceiro", acusou Tânia. As declarações de Jungmann foram feitas quarta-feira durante palestra na Escola de Inteligência Militar do Exército (Esimex). Na ocasião ele disse que em 65% das invasões de terras os proprietários não estão pedindo a reintegração de posse, o que levantaria a suspeita de negociação para a invasão e venda das propriedades para o governo.
Segundo a presidente da UDR, muitos fazendeiros realmente desistem de impetrar mandados de reintegração de posse contra os sem-terra, mas isso não faz parte de nenhum acordo . "Na verdade isto acontece porque suas propriedades são invadidas e depredadas tantas vezes que eles são obrigados a buscar um caminho de negociação". Ela salientou que "se isto ocorre é por culpa do próprio governo que não faz respeitar o direito da propriedade privada", disse.
Para Tânia Tenório, ao contrário do que diz Jungmann, "a verdadeira impressão que existe entre os ruralistas e a opinião pública é de que o governo utiliza os movimentos de invasão como "testas-de-ferro" para desestabilizar psicologicamente os produtores e, desta forma, conseguir adquirir as propriedades de modo mais vantajoso". Segundo ela, o governo tem tudo para acabar com as invasões mas não o faz. "É o caso do anúncio de que as propriedades invadidas não seriam vistoriadas por um ano, o que, até agora, não saiu do papel.

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