UDR faz plantão em fazenda do Pontal
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sexta-feira, 07 de março de 1997
Agência Folha, 
de São José do Rio Preto
Cerca de 50 fazendeiros ligados à União Democrática Ruralista (UDR) montarão um plantão hoje e amanhã na fazenda São Domingos, em Sandovalina (640 quilômetros a oeste de São Paulo), onde há duas semanas um conflito deixou oito sem-terra feridos a tiros. Oficialmente, os fazendeiros dizem que vão refazer as cercas destruídas na tentativa de invasão da sede da fazenda. O diretor financeiro da entidade ruralista, Antonio Renato Prata, disse que eles estarão desarmados. Vamos em paz, para trabalhar.
A UDR solicitou às Policias Militar e Civil que estivessem na área para dar segurança. Um carro da PM se mantém na sede da fazenda desde o dia confronto, 23 de fevereiro. As ações do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) costumam acontecer nos finais de semana. Os fazendeiros temem que possa haver nova invasão, já que os sem-terra prometem colher 280 alqueires de roça (200 de milho, 50 de arroz e 30 de amendoim) plantados dentro da fazenda. Que vamos colher não resta dúvida. Só não sabemos quando. Pode até ser neste fim de semana, quem sabe, disse o dirigente do MST José Eduardo Gomes de Moraes, coordenador do acampamento Taquaruçu, que fica em frente à fazenda.
Cerca de 1.300 pessoas, entre acampados, assentados e militantes do MST retornam hoje ao Pontal do Paranapanema (extremo oeste de São Paulo). Eles estavam em Santo André, onde se encerrou ontem o 12º encontro estadual do movimento.
Ontem, em São Bernardo do Campo, Gilmar Mauro, 30, da direção nacional do MST anunciou que o movimento vai resistir a fazendeiros que tentarem impedir ocupações de terras no Pontal do Paranapanema (SP). Acho que nós (direção do MST) estamos sendo muito frouxos e pacatos. Nesse último atentado tivemos que segurar as famílias, que queriam partir para cima dos pistoleiros à unha. A partir de agora, vamos mudar de atitude e não aceitaremos mais provocação, disse Gilmar Mauro, 30, da direção nacional do MST. Ele afirmou que os sem-terra do Pontal não possuem armas de fogo.
O dirigente disse que tem consciência que uma eventual radicalização da posição do MST pode trazer mais violência ao Pontal. Sim, pode ser (que haja mais violência), apesar de nós continuarmos a pedir soluções pacíficas. Mas existe violência maior que a de uma família que passa fome, ou a de um pai que tem de fugir e se afastar dos filhos?, afirmou.
Mauro disse ainda que a reforma agrária possui bastante respaldo popular no Brasil. A reforma agrária tem apoio de 85% da população. É mais apoio que a reeleição, afirmou.
O presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Roosevelt Roque dos Santos, disse ontem que a disposição do MST de intensificar reações vai levar ao agravamento do conflito, já que os fazendeiros vão continuar exercendo o direito constitucional de se defender. Este é o receio dos fazendeiros: o crime de turba. Como controlar 1.500 pessoas numa invasão?, disse, referindo-se ao número de pessoas que tentaram invadir a fazenda São Domingos. Santos disse esperar que as autoridades tomem medidas contra quem incita a prática do crime. Quem está incitando não é a UDR, todos sabem quem são, afirmou.


