Curitiba- ''A simpatia e receptividade do governador Roberto Requião (PMDB) pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) estão atraindo integrantes de movimentos de outros estados para o Paraná.'' A afirmação é do presidente da União Democrática Ruralista (UDR) no Paraná, Marcos Prochet. Segundo ele, famílias que seriam ligadas ao Movimento dos Agricultores Sem Terra (MAST) grupo dissidente do MST e que atua principalmente no Pontal do Paranapanema (SP) estariam montando acampamentos em cidades paranaenses que fazem divisa com o estado de São Paulo.
Uma das cidades, segundo Prochet, seria Colorado, onde cerca de 80 famílias de sem-terra estariam acampadas. Os municípios de Lobato e Diamantina do Norte também estariam sendo alvo de ocupações. O presidente da UDR afirmou que os sem-terra estão em beira de estradas, mas muito próximos das entradas das fazendas. ''No momento em que todos (os estados) querem coibir as ocupações, ele (o governador Roberto Requião) vem dizer que o MST é uma bênção de Deus?'', questionou Prochet, referindo-se ao discurso do governador no encontro do MST, em Curitiba, na quinta-feira. O encontro, que terminou ontem, reuniu cerca de 4 mil integrantes do MST.
Prochet também criticou a ''parcialidade'' do secretário de Estado de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, no trato com os sem-terra e no cumprimento das ordens judiciais de reintegração de posse. ''É um absurdo que um secretário de Segurança seja parcial. Ele não tem que gostar da gente (dos ruralistas), só tem que cumprir a lei'', declarou.
Delazari rebateu as críticas dizendo que está sendo absolutamente imparcial e que o papel da secretaria é atuar na mediação de conflitos. ''Não temos interferência no processo de reforma agrária. Fizemos 47 desocupações esse ano sem que houvesse um empurrão. Eu acho que esse rapaz (Marcos Prochet) quer ver sangue'', declarou.
O secretário de Segurança afirmou, ainda, que acredita que o presidente da UDR não está acostumado com um regime democrático. Defendeu que o atual governo tem buscado o diálogo, especialmente com os movimentos sociais, mas tem dado o mesmo tratamento às duas partes, lembrando que o governador almoçou com os ruralistas, esta semana, em Londrina. ''É claro que nesse governo tem sido mais fácil conversar com quem trata as coisas com isenção, sem paixão'', acrescentou.
A assessoria do governador Roberto Requião informou que não iria se pronunciar a respeito das críticas.

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