A União Democrática Ruralista (UDR) do Paraná divulgou ontem à tarde, cópia de um documento interno do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), datado de 30 de novembro de 1998, que relata a forma de agir dos sem-terra ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), na região de Querência do Norte (113 km de Paranavaí).
Segundo a UDR, a nota foi emitida para demonstrar a preocupação dos ruralistas diante da troca de comando da superintendência do Incra no Paraná. No mês passado, Petrus Imile Ab-Abib foi substituído por José Carlos de Araújo Vieira. Os ruralistas dizem esperar ‘‘uma posição imparcial’’ do novo superintendente e que a reforma agrária aconteça dentro dos ‘‘ditames da lei’’.
O relatório do Incra foi feito pelo técnico agrícola Rogério Augusto Tille e pelo assistente de administração Walter Alberto Cadore, de Cascavel. Eles afirmam que está difícil trabalhar na região Noroeste do Paraná, pela quantidade de famílias que devem ser abrigadas nos novos assentamentos. ‘‘O MST vem impedindo a realização de trabalhos por técnicos do Incra’’, afirmam.
A UDR diz que o relatório demonstra as ‘‘inúmeras irregularidades’’ que o MST tem promovido na região. E cita entre elas o favorecimento de líderes do movimento, o desrespeito às áreas de preservação permanente e estradas e o repasse dos maiores e melhores lotes para os coordenadores do MST.
Os técnicos disseram que não conseguiram realizar os trabalhos de assentamento e áreas que ainda não são do Incra mas com decreto aguardando imissão de posse. Num quadro cita os assentamentos Zumbi dos Palmares, 17 de Abril, Antônio Conselheiro, Sebastião Camargo Filho, Santo Ângelo e as fazendas Bela Vista, Paraíso, São Pedro e Vitória, localizados nos municípios de Querência do Norte, Santa Cruz do Monte Castelo, Amaporã e Marilena.
Eles dizem que o MST do Noroeste não está respeitando os trabalhos de estudo de viabilidade realizados por técnicos do Incra. ‘‘Com isso deixa-se de assentar 69 famílias, e em algumas áreas que já possui a imissão de posse os parceleiros já poderiam ter recebido créditos, e nas áreas com decreto onde o movimento realizou a seleção e o parcelamento vai ser difícil de atingir os objetivos constantes dos estudos de viabilidade técnica’’.
Consta ainda que na seleção realizada pelo MST, que foram excluídas famílias com maior número de dependentes, deixando solteiros ‘‘só porque os mesmos têm algum envolvimento com o movimento caso mais marcante na Fazenda São Pedro, que ainda pertence ao Incra’’.
Eles pediram ao Incra que tome medidas urgentes para por fim aos abusos que ocorriam na área. E citam ainda que nos assentamentos Antônio Conselheiro e Santo Ângelo a maioria das famílias aceita a proposta do Incra, ‘‘mas quando o MST fica sabendo da nossa visita e do acerto, ameaçam os parceiros, inibindo qualquer ação por parte do Incra’’.
Em virtude dos problemas, os técnicos sugeriram a substituição deles nos trabalho na região.

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