UDR decide usar estratégia do MST
A União Democrática Ruralista (UDR) está orientando os fazendeiros a usarem a mesma estratégia do Movimento dos Sem-Terra (MST) para defender as propriedades das invasões. Como os sem-terra chegam sempre em grande número para ocupar uma propriedade, a UDR sugere que os fazendeiros reunam a mesma quantidade de pessoas para conter a entrada dos invasores. A orientação foi dada ontem em Icaraíma (67 quilômetros de Umuarama) pelo coordenador geral da UDR, Tarcísio Barbosa de Souza a um grupo de proprietários rurais preocupados com as invasões de terra no município.
Souza sustenta que o sucesso das ocupações dos sem-terra está na mobilização de um grande número de pessoas. Diante da massa, ninguém ousa enfrentá-los, disse. Segundo o coordenador da UDR, os fazendeiros podem usar a mesma arma, reunindo pessoas e carros para bloquear uma propriedade que esteja sendo invadida ou ameaçada de invasão.
Vânia MoreiraRibeirinhosAcampamento da Fazenda Monte Azul. Invasão Icaraíma e dezenas de moradores estão se juntando aos sem-terraNa região de Querência do Norte, já conseguimos reunir 500 carros diante de uma fazenda que seria invadida e os sem-terra recuaram, contou. Souza não teme que estes enfrentamentos possam deflagar mais violência no campo. Temos de nos defender porque o governo não faz nada para conter as invasões. A UDR não acredita que o governador Jaime Lerner ordene a desocupação de fazendas invadidas que obtiveram reintegração de posse . Temos 43 ordens de reitegração aguardando cumprimento há três anos, disse.
A invasão da Fazenda Montem Azul, sexta-feira passada, agitou Icaraíma, município com 10,5 mil habitantes. Dezenas de moradores estão se juntando aos sem-terra. Das cerca de 50 famílias que invadiram a Faazenda Monte Azul, apenas 12 pertencem aos sem-terra conhecidos como Ribeirinhos, vindos de Querência do Norte e que não tem ligação com o Movimento dos Sem Terra (MST). As demais são de Icaraíma.
O prefeito Hosny Sérgio dos Santos (PSDB) acusa os sem-terra de estarem iludindo os moradores da cidade para se juntarem ao movimento. Entre os novos sem-terra, estariam trabalhadores urbanos, comerciantes e filhos de agricultores. Segundo o prefeito, até funcionários da Prefeitura estão pedindo demissão para se unir ao movimento sob a promessa de que ganhariam 10 alqueires de terra.
Ninguém disse que o processo é demorado e que podem ficar até 10 anos morando em barracos de lona ou mudando-se para outras fazendas até conseguirem ser assentados, reclama Santos. O prefeito disse que não tem como impedir os moradores de seguirem os sem-terra, mas vai ajudar a pressionar as autoridades para que a Fazenda Monte Azul seja desocupada , o que poderia conter o avanço do movimento no município.
Os coordenadores da invasão à Fazenda Monte Azul informaram ontem que já tem 170 famílias de Icaraíma cadastradas para se juntar a eles no acampamento. Uma das coordenadoras, Rosangela Vieira de Alencar, disse que todos os cadastrados são trabalhadores rurais desempregados. Segundo Rosangela, a fazenda de 570 alqueires foi declarada improdutiva pelo Incra e vai se desapropriada para assentamento. O proprietário Rossine Gomes Pedrosos, de Rondonópolis (MT) conseguiu liminar judicial para reitegração de posse e agora aguarda a desocupação da fazenda.
Na cidade, circulam boatos sobre novas invasões e muitos fazendeiros estariam se armando e contratando capangas para defender suas propriedades. Os fazendeiros negam que estejam se armando, mas não escondem a preocupação de que novas propriedades sejam ocupadas. As invasões também deixaram inseguros os produtores que arrendaram terras para plantar soja. Quase 20 produtores do Sudoeste cultivam 2 mil alqueires de soja em Icaraíma. Um deles Juventino Gomes Pedrosa, de Brasilândia do Sul está colhendo 99 alqueires de soja na Fazenda Monte Azul. Os sem-terra querem que eu deposite em juízo a renda a ser paga ao proprietário, informou.Vânia MoreiraNervosismoO coordenador da UDR Tarcísio Barbosa de Souza fala durante reunião de ontem com proprietários em IcaraímaVânia Moreira





