Lucinéia Parra
De Maringá
O 8º Batalhão da Polícia Militar de Paranavaí reforçou o efetivo de policiais nas estradas vicinais que cortam as fazendas invadidas por trabalhadores sem-terra, nos municípios de Marilena e Nova Londrina (100 quilômetros ao norte de Paranavaí). De acordo com o comandante Alberto Augusto da Silva, 180 policiais dos batalhões de Paranavaí, Maringá, Apucarana e Rolândia, estão fazendo os bloqueios. Na Fazenda Santa Rosa, onde houve o conflito entre jagunços e sem-terra, na manhã de domingo, pelo menos uma viatura com quatro policiais permanece no local.
Ontem à tarde, o presidente da União Democrática Ruralista do Paraná (UDR), Marcos Menezes Prochet, divulgou nota confirmando que o proprietário da Fazenda Santa Rosa, Alvin Zoller, fez a reintegração da área com suas próprias forças. Segundo Prochet, ‘‘a UDR já tinha avisado que os proprietários rurais estão dispostos a cumprir a lei’’. A UDR afirma que se o Estado não tem forças para cumprir a lei, ‘‘que o governo federal desloque para a região tropas do Exército’’.
A maioria dos sem-terra foi para a Fazenda Romaria, que foi invadida há 15 dias. Os trabalhadores sem-terra prometem não deixar a região. ‘‘Não temos nada a perder, por isso vamos continuar a nossa luta’’, disse um dos trabalhadores que não quis se identificar. Os sem-terra afirmaram ontem, que os jagunços chegaram na Santa Rosa por volta das 6 horas de domingo e que eram aproximadamente 70 homens encapuzados.
‘‘Nosso pessoal viu quando uma caminhonete branca passou pela estrada. Eles viram alguns homens agachados dentro da caminhonete e tentaram alertar o resto do pessoal, mas daí quando a caminhonete subiu, voltou atirando. Saímos correndo, mas eles ainda atiraram em uma companheira e espancaram uma criança’’, afirmou um dos sem-terra. O sem-terra Elmogêneo Antunes da Silva, de 47 anos, foi atingido de raspão por um tiro, na perna esquerda.
Os sem-terra afirmam ter visto o delegado de Marilena, Daniel Alceu Mazotti entre os jagunços. ‘‘Eles reconheceram o delegado porque o gorro dele caiu’’, disse um deles. ‘‘É uma mentira das mais cabeludas. O que tenho a falar é que eu não estive na fazenda’’, contestou o delegado. Mazotti afirmou que o inquérito será presidido por um delegado especial que seria designado ainda ontem. A polícia não tinha identificado nenhum jagunço até ontem à tarde. A Fazenda Santa Rosa tem 215 alqueires e pertence à Agropecuária Zoller Ltda.
O estado de saúde da sem-terra Francisca Pereira dos Santos, 59 anos, baleada no conflito, era regular, ontem à tarde, conforme boletim médico da Santa Casa de Paranavaí. Ela sofreu uma cirurgia para a retirada da bala mas passava bem, conforme a filha dela, Maria Aparecida dos Santos.

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